Desvio de verbas da Seart encerra convênio no Oeste Edson MazzettoMário Bracht, presidente da Fundetec, negou as irregularidades Paulo Pegoraro De Cascavel A Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho (Sert) rescindiu convênio que mantinha com a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundetec), de Cascavel, e está no aguardo de que a entidade (constituída pela prefeitura) se defenda de acusação de recebimento de dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para cursos não realizados. Entre outras irregularidades, estariam também o não-cumprimento de exigências quanto ao número de alunos e carga horária. Também a Procuradoria da República em Cascavel investiga a denúncia, porque há envolvimento de recursos federais. Apenas entre setembro e dezembro do ano passado, a Sert repassou à Fundetec R$ 84 mil do FAT (federal), para 90 cursos de qualificação de trabalhadores. Relatório de uma comissão nomeada pelo secretário José Carlos Gomes de Carvalho para apurar as irregularidades, cuja cópia foi obtida pela Folha, sugeriu a rescisão do convênio e declaração da Fundetec como ‘‘inidônea para contratos com a administração pública’’. O documento aponta vinculação entre a Fundetec e a Fundação Educacional, Sindical e Assistencial do Iguaçu (Iguaçu), na realização de alguns cursos, que teriam sido ‘‘terceirizados’’ pela Fundetec à segunda entidade. A comissão obteve depoimentos indicando isso, entre eles de Pedro Rempel, que era chefe local dos sistemas estadual e nacional de Empregos (Sempre/Sine). Um professor disse que ministrou cursos para a Iguaçu e foi pago por ela. Um dos cursos conveniados com a Fundetec, sobre Processos Agroalimentares, consta como tendo sido realizado nos dias 12 e 13 de novembro. No entanto, na prestação de contas à Sert a Fundetec informa que as inscrições foram feitas em 21 de dezembro, e, mais ainda, as fichas dos participantes são as mesmas de outro curso (Segurança em Laboratório), que consta como realizado nos dias 16 e 17 de dezembro – o que também não teria acontecido, segundo outro depoimento. Situações semelhantes envolveriam a ‘‘terceirização’’ de cursos para a fundação tecnológica Fundemarc, de Marechal Cândido Rondon (90 quilômetros a oeste de Cascavel). O químico Mário Bracht, presidente da Fundetec, deverá apresentar hoje à Sert sua defesa. Ele disse ontem que as suspeitas envolvem apenas sete cursos. ‘‘Mas eles não foram terceirizados, pois os pagamentos a instrutores e outras despesas foram feitos por nós’’, disse. Bracht negou também a não-realização de cursos.