Desvio de madeira é apurado em Irati
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de outubro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
A Procuradoria Geral da República investiga denúncias de desvio de madeira da Floresta Nacional de Irati, administrada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A área tem 3,5 mil hectares e teria fornecido, por meio de convênio com prefeituras da região, matéria prima para a construção de casas populares. Em Irati, de acordo com acusações do engenheiro florestal Trajano Gracia, grande parte da madeira retirada da floresta não foi usada para erguer nenhuma casa entre 1996 e 1997.
Gracia acusa o Ibama de não ter exercido fiscalização na época para comprovar se as residências foram construídas ou não em Irati. As denúncias do engenheiro, que é servidor do Ibama lotado na Floresta Nacional, foram encaminhadas em 1998 à Procuradoria Geral da República, em Curitiba, depois de não encontrar respaldo em sindicâncias internas. Diante das revelações, o convênio chamado de Floresta Solidária foi suspenso no ano passado. A informação foi confirmada pelo representante do Ibama no Estado, Luiz Antônio de Melo, que mandou cancelar a retirada do material.
Na Procuradoria da República, em Curitiba, a informação é de que o caso ainda está sendo analisado e de que não existe prazo para finalizar a investigação. O representante do Ibama, Luiz Antônio de Melo, diz que a idéia original do convênio não envolveria as prefeituras. Segundo ele, a Companhia de Habitação (Cohab) é quem deveria receber o material para distribuir às famílias. Assim não privilegiaria ninguém, fazendo parte de um plano do governo do Estado, afirma Melo. Por lei ambiental, cerca de 60% da área da Floresta Nacional de Irati pode ser explorada em projetos de manejo sustentado.
Trajano Gracia acusa ainda o chefe do Ibama em Irati, Luiz Antônio Uchôa, de ser conivente com as irregularidades. Segundo o engenheiro florestal, Uchôa indicaria as melhores áreas de extração para a Madeireira Bernardo Rebesco, de Irati. O chefe do Ibama na cidade foi procurado pela Folha, mas não quis dar entrevista. Orientou que a reportagem deveria encaminhar um requerimento à superintendência do Ibama, em Curitiba, para solicitar a entrevista.
O dono da madeireira, Gerson Rebesco, negou que tenha sido favorecido. Este Trajano é um doente. É uma denúncia vazia. A única coisa que ele não faz é cuidar do Ibama. Esse rapaz não é certo da cachola, afirma. Rebesco diz que toda a madeira cortada da floresta foi entregue às prefeituras. O empresário acusou o engenheiro de prejudicar sua madeireira. Sempre foi por motivos políticos. Ele deixava outras empresas remover a madeira e nos barrava. Uma vez ele nos colocou perto de um rio para tirar madeira e acabou sendo denunciado pelos próprios colegas por sua irresponsabilidade.


