Paulo Pegoraro
Servidores municipais de Cascavel e contribuintes de impostos são co-responsáveis pelo desvio de grande soma de dinheiro dos cofres públicos. Devedores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), principalmente os donos de muitos imóveis, participaram das irregularidades. Uma soma ainda não calculada oficialmente foi retirada do caixa da prefeitura, mas os carnês de impostos foram autenticados como pagos.
A revelação foi feita ontem pelo prefeito Salazar Barreiros (PPB) durante entrevista coletiva, na primeira manifestação pública desde o início das investigações sobre o caso, descoberto há duas semanas.
Carnês e outros documentos de débitos foram quitados, nas listagens do computador da prefeitura eles constam como pagos, mas os valores correspondentes não apareceram no caixa. Até ontem, 12 servidores e 29 contribuintes haviam prestado depoimento à comissão nomeada por Salazar Barreiros para apurar os fatos. Outros 40 contribuintes já estão convocados para depor e o número deve ir além até o final das investigações. Todas as quitações e documentos contábeis da prefeitura a partir de 1977 estão sendo revisados.
É possível que a irregularidade vinha acontecendo há anos, pois a maior parte dos servidores envolvidos está há tempos no setor de arrecadação/tributação. O prefeito não revelou nomes dos funcionários e contribuintes com envolvimento já comprovado, alegando que, por ‘‘questão legal’’, esperará a conclusão das investigações.
Respondendo perguntas de jornalistas se há ‘‘gente graúda’’ e ‘‘latifundiários urbanos’’ envolvidos nos desvios de caixa, Salazar confirmou. Segundo o prefeito, entre os envolvidos há ‘‘gente bem conhecida na cidade’’. Salazar garantiu que os nomes serão tornados públicos após a conclusão das investigações, o que deve ocorrer em 15 dias.
‘‘Estou comunicando publicamente: a população ficará sabendo de tudo, doa a quem doer’’, garantiu Salazar Barreiros. Sabe-se que uma servidora, que deveria ser a única detentora da senha para baixas de débitos nos computadores, repassou-a para várias pessoas que trabalhavam no setor.
Na outra ponta estão servidores que procuravam devedores, em muitos casos propondo a quitação por valores inferiores - o que significa que contribuintes participaram ativamente do desvio do dinheiro dos cofres púbicos. Em um dos casos, um devedor de R$ 15 mil pagou apenas R$ 2 mil. O prefeito preferiu não revelar o montante já comprovado do desvio. O Município esperava ter recebido cerca de R$ 2,5 milhões na parcela única do IPTU em março mas efetivamente só entraram R$ 1,5 milhão.
Além das responsabilizações, com punição administrativa e criminal ao final do processo (o Ministério Público e uma CEI da Câmara também investigam), de imediato todos os débitos de contribuintes serão revisados e todos os ocupantes de cargos de chefia (segundo escalão) no setor tributário serão substituídos. Na sequência, a prefeitura só receberá tributos através dos bancos, porque o prefeito reconhece que esta é a forma adequada de evitar a repetição do caso.

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