Um dia depois de a prefeita de Mandaguari (33 km a leste de Maringá) Maria Inês Botelho (PSDB) baixar decreto proibindo a passagem de caminhões por duas estradas rurais da região, o prefeito da cidade vizinha, Marialva (17 km de Maringá), João Celso Martini (PSDB), decidiu cascalhar e promover melhorias em trechos das estradas que pertencem ao seu município.
Uma cidade fica distante 12 km da outra. Quem viaja de Maringá para Mandaguari passa primeiro por Marialva e só depois é que encontra o posto de pedágio, que cobra R$ 1,10 por eixo, independente do tipo do veículo. Entre Marialva e Mandaguari existem duas estradas rurais, de terra batida, que levantam muito pó em tempo seco. Todas as duas podem ser tomadas logo depois de Marialva, portanto antes do pedágio. Quem não quer ou não pode pagar a taxa, pega o desvio que dá acesso a Mandaguari.
Uma dessas estradas é a Keller, que tem 12 km - oito km perten
cem ao município de Marialva. A outra é a Terra Roxa, com cinco km - três são de Marialva. Sítios e chácaras ficam às margens das duas estradas.
O decreto da prefeita Maria Inês proibiu a passagem de caminhões que pesam mais de oito toneladas ou que tenham mais de dois eixos por essas estradas, o que atinge principalmente as carretas. Para baixar o decreto, ela se baseou na Lei Orgânica do Município, que dá ao Executivo poderes para atuar e fiscalizar as estradas municipais.
A prefeita negou que tenha baixado o decreto com a intenção de obrigar os motoristas das carretas a pagar o pedágio. Justificou a medida dizendo que desde a implantação da taxa de pedágio, há quase um ano, as lavouras de café que ficam nas margens das estradas vêm sofrendo com a poeira. Além disso, disse ela, o peso das carretas estão destruindo as estradas. Ela adiantou que a partir de hoje vai manter fiscais na entrada das estradas para impedir a passagem dos caminhões.
O prefeito de Marialva, João Celso Martini, disse que sempre que pode promove melhorias nas duas estradas. ‘‘Com esta proibição, que é absurda, vou colocar cascalho a partir de hoje e passar uma motoniveladora na parte que pertence a Marialva. Quero esclarecer que não tenho nenhuma rixa com a Maria Inês. Eua a amo mutio e a respeito, mas isso é inconstitucional. E o direito de ir e vir? E quem não tem dinheiro? Depois, temos que ajudar as pessoas que moram ao longo dessas estradas’’, explicou Martini.
O vereador do bloco de oposição à prefeita, Romualdo Velasco (PPB), acha o decreto um absurdo. ‘‘A prefeita ficou com a Viapar e contra o povo. Ela não tem o direito de fazer isso. Nós temos que ficar contra a Viapar e a favor do povo, que não tem dinheiro para pagar o pedágio. Acho que o prefeito Martini tem mais é que colocar uma placa, depois das melhorias, dando as boas-vindas a quem quiser utilizar as estradas. É de graça.’’

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