Arapongas - No Colégio Estadual Professora Nadir Mendes Montanha, em Arapongas (Norte), um grupo de 20 alunos de 6 e 7 séries está descobrindo que a leitura de jornais pode ficar muito mais interessante quando se conhece um pouco da história de cada veículo e as etapas de produção dos textos jornalísticos. Eles participam do Programa Viva a Escola - Mídia Falada e Escrita, desenvolvido no contraturno escolar. Os resultados das oficinas, realizadas nas tardes de segunda-feira, já estão se refletindo nos boletins. Conforme lêem mais, os adolescentes descobrem que também escrevem com mais clareza e entendem melhor o conteúdo das disciplinas.
Desde o início do ano, o grupo está mergulhando na história dos primeiros jornais do País. Já montaram slides e a cada semana escolhem um assunto para discutir em sala. Na última segunda-feira, munidos de exemplares da Folha de Londrina, eles montaram cartazes reproduzindo, à sua maneira, a primeira página do jornal.
''O objetivo é que eles se familiarizem com todos os tipos de mídia'', explica o professor Marcelo Rissato, coordenador das oficinas. Os próximos passos, segundo ele, serão montar um jornal com notícias da escola e um programa de rádio. ''Percebemos que eles têm acesso aos veículos de comunicação, mas às vezes não são estimulados a se informar e não conhecem cada um deles a fundo.''
Entusiasmo
Segundo Rissato, poder trabalhar o assunto em um projeto no contraturno é interessante porque é possível ir mais a fundo. ''Em uma aula apenas pode ser complicado. Quando o assunto começa a ficar interessante, acaba nosso horário. Aqui temos mais tempo. São quatro horas, todas as segundas-feiras'', detalha. De acordo com o professor, os veículos que os alunos estão mais familiarizados são TV e computador. Por isso, em alguns casos, o jornal impresso tem sido uma grata surpresa.
Um exemplo é o de João Natan dos Santos, de 13 anos. Estudante da 8 série, o garoto não era muito de ler jornal, embora os pais comprem ''de vez em quando''. Depois que passou a frequentar as oficinas oferecidas pelo Viva a Escola, no ano passado, passou a se interessar por leitura e viu suas notas melhorarem. ''Gosto das páginas de esporte e das charges. A leitura me faz entender o que está acontecendo no mundo'', fala João.
Laís Fiori, 13 anos, já está até pensando em declinar de seus planos de ser médica e começa a flertar com o jornalismo. ''Agora eu tenho mais interesse pela leitura. Antes eu só pegava livro pequeno para ler, agora já me arrisco a pegar livros maiores'', conta a garota.
No caso de Michelle Vendramini, também de 13 anos, o que a atraiu para o programa foi a possibilidade de conhecer um pouco mais sobre como as notícias são produzidas. ''A gente começa a interagir, a perceber que há muita coisa por trás de um pequeno texto, e isto nos dá mais entusiasmo para ler.''

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