Feliz com a barriga de três meses de gravidez, a auxiliar administrativo Adriana de Lima Ossetti, 28 anos, aguarda para dezembro o nascimento de seu primeiro filho - ou filha, já que ela e o marido ainda não sabem o sexo da criança. A alegria é acentuada pelo fato de ela ter demorado a engravidar. Foram três anos de consultas com diversos médicos. A solução para a infertilidade de Adriana só surgiu quando uma médica resolveu investigar a quantas andavam os hormônios da moça. Veio a descoberta. Ela tinha hipotireoidismo, uma disfunção da glândula tireóide que desregula a produção de hormônios.
''Assim que descobriu o problema, a ginecologista me encaminhou ao endocrinologista. Comecei o tratamento à base de medicamento via oral e imediatamente engravidei. Eu nem imaginava que essa glândula existia e que poderia me causar problemas. Também não podia imaginar que o tratamento fosse tão simples e eficiente'', comenta Adriana.
O caso dela é um exemplo clássico do que acontece com muitas pessoas que sofrem de algum problema na tireóide, uma glândula de aproximadamente 30 gramas e de cinco centímentros de altura por três de largura, e que merece atenção. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), 15% dos brasileiros com mais de 45 anos sofrem de algum distúrbio de tireóide.
A tireóide trabalha movida pelo TSH (sigla em inglês para hormônio estimulador da tireóide), que é produzido na região do cérebro chamada de hipófise, e tem como função fabricar os hormônios T3 e T4, que regulam o metabolismo humano. Produção deficitária ou em excesso destes hormônios significa problemas. Porém, o diagnóstico é simples, exigindo apenas exames de sangue. O tratamento também não é complicado. ''O importante é que as pessoas prestem atenção aos sintomas das doenças relacionadas à tireóide e procurem um médico para começar o tratamento o mais breve possível'', enfatiza o endocrinologista Leandro Diehl, de Londrina.
Hipotireoidismo
Antigamente, o hipotireoidismo era doença que atacava quem morava longe das praias e, consequentemente, ingeria menos iodo, substância encontrada nos frutos do mar. Segundo Diehl, os hormônios T3 e T4 são formados por proteínas e moléculas de iodo, por isso a falta dessa substância implica em menor produção dos hormônios, ou seja, hipotireoidismo.
O bócio, uma dilatação da região do pescoço onde está a tireóide era comum em moradores de regiões do interior do Brasil. Depois que a legislação brasileira que obriga a adição de iodo no sal passou a ser cumprida para valer, na década de 1980, a principal causa de hipotireoidismo passou a ser uma doença autoimune, a Doença de Hashimoto. Ainda assim, o hipotireoidismo continua sendo o distúrbio mais comum da tireóide. Cirurgias que causem alguma lesão à tireóide ou a ingestão de medicamentos também podem levar ao hipotireoidismo.
O tratamento é simples, mas sem ele o hipotireoidismo causa redução significativa da performance física e mental e elevação dos níveis de colesterol, comprometendo o coração.
Hipertireoidismo
Já a produção excessiva de hormônios da tireóide é mais preocupante, causando hipertensão arterial e deixando o doente inquieto, agitado, com enxaqueca. É mais comum em mulheres na faixa de 20 a 40 anos. A principal causa é a Doença de Graves, também autoimune, e que frequentemente atinge mais de um membro da mesma família.
A exemplo do hipotireoidismo, o diagnóstico é feito com a dosagem sanguínea dos hormônios T3, T4 e TSH. No entanto, o tratamento é mais agressivo, podendo até ser cirúrgico, com a remoção total da glândula. ''Depende de cada caso. Podemos optar por medicamentos que agem diminuindo a produção de hormônio pela glândula. Outra opção é o tratamento com iodo radioativo. É um tratamento seguro, pois a tireóide é a única parte do corpo humano que absorve o iodo. A cirurgia para a remoção total da tireóide não é comum, mas pode ser utilizada em casos extremos'', explica Diehl.
Depois do tratamento pode ser que o paciente passe a sofrer de hipotireoidismo. Nesse caso, será necessário o tratamento com comprimidos para repor os hormônios, geralmente pelo resto da vida.

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