''Destruir o barraco é até justificado''
No final de dezembro do ano passado a casa de Matheus Angelo da Silva, 29 anos, foi incendiada por uma pessoa revoltada por ele ter matado a pauladas o aposentado Olídio Gonçalves, de 89 anos. Um sujeito não identificado pegou um galão de gasolina, jogou sobre o barraco de madeira localizado no Parque Ouro Branco (Zona Sul de Londrina) e depois ateou fogo. É algo parecido com o que se via na Antiguidade, quando vigorava a Lei de Talião, que pregava o lema ''Olho por olho, dente, por dente'', ou seja, a reciprocidade do crime e da pena.
A reportagem da FOLHA procurou alguns vizinhos do aposentado para falar sobre o assunto. Uma das vizinhas afirmou ontem que não acha que o ato de atear fogo tenha sido correto, mas apenas pelo fato de que um incêndio poderia se alastrar e atingir outras casas do bairro. Ela disse que não colocaria fogo, mas no momento ficaria revoltada e admite que poderia colocar o barraco abaixo. ''Destruir o barraco dele é até justificado diante das coisas que ele fez'', declarou, ressaltando que Matheus não se encontrava na casa. Na sua opinião, em alguns casos a justiça com as próprias mãos pode ser feita.
Outra vizinha disse que presenciou a cena do assassinato e que se outros vizinhos tivessem visto a cena, provavelmente teriam espancado Matheus. ''Eu fiquei uma semana traumatizada com a cena. Na hora a gente não acredita no que está vendo'', observou. ''Para mim a pessoa que ateou fogo na casa de Matheus não quer que ele volte ao bairro. Foi um gesto para demonstrar que aqui ele não é bem-vindo mais'', justificou, garantindo ser uma pessoa pacífica.
Uma terceira vizinha presenciou a ação do incendiário, mas afirmou não conhecê-lo. ''Graças a Deus eu não faço Justiça com as minhas próprias mãos, pois deixo isso para quem trabalha com isso. Eu falei para ele que colocar fogo na casa de Matheus o tornaria farinha do mesmo saco que o assassino'', relatou. (Vítor Ogawa)





