Edson MazzettoAs rajadas de vento destruíram casas, barracões e veículos; prefeito decretou estado de emergênciaA madrugada foi de pânico em Cascavel. O vendaval provocou destruição, destelhou 250 casas e barracões. Árvores e 80 postes de energia elétrica foram arancados. Não houve registro de feridos. O vento ‘‘rugia’’, segundo depoimentos de moradores ao lembrar do furacão que, em junho, atingiu a vizinha cidade de Nova Laranjeiras, deixando-a semidestruída e resultou na morte de três pessoas e dezenas de feridos.
O vendaval ocorreu às 4h20 e durou poucos minutos. A torre de controle do Aeroporto Municipal registrou ventos de até 125 quilômetros por hora. O controlador de vôo Antonio Carlos Ferreira Gomes relatou que não houve caracterização de tornado, pois o vento não foi constante, mas em rajada.
O prefeito Salazar Barreiros (PPB) decretou estado de emergência. ‘‘Felizmente não tivemos vítimas’’, disse o prefeito, depois de percorrer os locais onde os estragos foram maiores. A parte mais atingida foi a região leste.
Os serviços de energia elétrica, telefonia e água foram afetados e continuaram parcialmente interrompidos durante o dia. A chuva continuou de manhã, com ocorrência de granizo. A escuridão foi completa durante algumas horas. Postos de Saúde, creches e escolas foram atingidos e as aulas foram suspensas.
À tarde, a preocupação era com a possibilidade de faltar telhas no comércio local. A prefeitura adquiriu de manhã 4,2 mil telhas de amianto, 10 mil de barro e 75 rolos de lona plástica.
O ginásio de esportes do bairro São Cristóvão foi reservado para a entrega de donativos. Os estragos, ontem, eram observados a partir da BR-369, onde o tráfego foi interrompido em meia-pista. Árvores e postes caíram sobre a rodovia.
Algumas famílias perderam, além da moradia, móveis e utensílio. Vicente Modesto Braga, 64 anos, a esposa Maria, 62, e três filhos, um dos quais portador de deficiência mental, moravam em uma casa no bairro Santos Dumont. Trabalhador braçal autônomo, Braga disse que ouviu o barulho do vento e saiu para ver se havia estragos. Quando retornou e fechou a porta da casa, a moradia desabou.
Equipes da prefeitura e da Defesa Civil foram mobilizadas para o socorro à população. Apenas o Corpo de Bombeiros atendeu 200 chamadas. O prefeito Salazar Barreiros determinou o cadastramento de famílias que sofreram prejuízos.
Fenômenos meteorológicos parecidos com o vendaval de ontem têm se repetido no Oeste do Estado. Em outubro de 1995, Cascavel foi atingida por vendaval que causou estragos maiores que o de ontem.

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