Destino de meninas deverá ser decidido nesta semana
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sábado, 19 de outubro de 2002
Ellen Taborda<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Justiça de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, deve decidir nesta semana o destino das duas meninas, de 10 e 11 anos, que confessaram o assassinato da menor B.R.M., de 4 anos. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, elas não têm idade suficiente para ficarem internadas em instituições para adolescentes.
A juíza Mila Aparecida Alves da Luz encaminhou as duas na última sexta-feira para uma instituição assistencial. Segundo a procuradora do Trabalho, Margareth Matos de Carvalho, o que a Justiça pode fazer nesses casos é determinar o acompanhamento psicológico das crianças.
A procuradora não acredita que o fato de crimes envolvendo crianças deva servir de motivo para mudanças na legislação. ''O fato de elas serem inimputáveis não significa que não vão responder pelo que fizeram. Elas terão um tratamento compatível com o seu desenvolvimento'', afirma. Ela acredita que o estatuto inovou por privilegiar a recuperação da criança. Só entre 12 e 17 anos é que adolescentes podem passar por internamento em instituições.
Para Margareth, casos como esse demonstram a falência da família e da sociedade. ''Que valores uma família desajustada e desiquilibrada passa para seus filhos?''
O corpo da menina B.R.M. foi enterrado na sexta-feira em Colombo. Ela foi encontrada morta em um lixão da Vila Zumbi dos Palmares na quinta-feira. As duas menores confessaram o crime depois de entrarem em contradição em depoimento à Justiça.
A menina mais velha disse à juíza que resolveu matar a criança, acompanhada da outra menor, porque ela sempre ia em sua casa pedir comida. As duas confessaram terem dado socos, pulado em cima do corpo e a afogado em uma valeta. Elas também introduziram um cabo de vassoura nos órgãos genitais da vítima.


