Destino de lixo preocupa moradores
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quarta-feira, 05 de agosto de 1998
Alexandre Sanches 
Os moradores da região do km 10 da PR-170, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina) realizam amanhã à noite uma reunião no salão de festas do Bairro São João, para discutir o destino do lixo do município, a criação de um aterro sanitário e a política municipal de turismo. Os agricultores e comerciantes da região fundaram o Movimento Nossa Terra (MNT), que pretende aprofundar e ampliar estas discussões, principalmente sobre o lixo.
O coordenador do MNT, o agricultor Daniel Steidle, disse que há um ano chama a atenção dos vizinhos sobre o problema do lixo, mas não recebia adesão. Agora, com a notícia de que um aterro sanitário será construído na região, os vizinhos ficaram em alerta. Não queremos transferir o problema para outro ponto do município, mas criar uma consciência sobre o aproveitamento racional dos dejetos, afirmou.
Como morador, Steidle disse que ficou preocupado com a notícia. Para ele, a questão do lixo doméstico merece uma discussão mais aprofundada. É urgente a transferência do lixão de Rolândia, que está praticamente na cidade. Temos que criar consciência do que pode ser aproveitado no lixo doméstico. Também precisamos avaliar qual é o melhor local para depositar este lixo, ressaltou.
Para a reunião de amanhã foram convidados políticos que apóiam o MNT, representantes da Associação Comercial e Industrial de Rolândia, estudantes, sanitaristas e população em geral.
Não queremos ir de encontro com a iniciativa da prefeitura. Queremos somente discutir a melhor destinação do lixo urbano, afirmou. Steidle admite que também está preocupado com a possibilidade do aterro ser instalado na região, que considera de importância histórica e de investimentos para o ecoturismo. A PR-170 é rodeada de patrimônios históricos e atrações turísticas. Com o aterro, muitos projetos serão inviabilizados.
Projeto antigo O vice-prefeito de Rolândia, João Dário (PDT), disse ontem que a prefeitura há tempos vem realizando um processo de educação ecológica junto às associações de bairros e escolas, com a separação do lixo reciclável. Ele afirmou que não há possibilidades de se mudar o local onde o aterro será instalado, pois foi a única área aprovada pelo IAP. Ninguém quer ter um depósito de lixo como vizinho. No entanto, é o único local em que não há riscos de poluir córregos e rios, aprovados pelo governo, enfatizou.
Segundo João Dário, a prefeitura fez vários estudos para tentar solucionar o problema do lixo no município, inclusive com a instalação de uma usina de reciclagem. O problema é que os equipamentos e a manutenção são caros e a prefeitura não tem recursos para isso. Se algum empresário quiser explorar este sistema, estamos abertos à discussão. O mais viável até agora foi o aterro.
Segundo João Dário, Rolândia possui vários lixões espalhados pelo município, criados pelos próprios moradores. Vamos acabar com este problema. Como há vários garimpeiros do lixo, a secretaria de Ação Social já está estudando um destino saudável para eles. Após a desativação do atual depósito de lixo, a prefeitura pretende compactar o local com terra e transformá-lo numa área verde. A reunião de amanhã está marcada para às 19 horas.


