Destino de lixo preocupa empresários
Alexandre Sanches
De Londrina
Os empresários ligados ao ramo agropecuário de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) estão preocupados com o destino do lixo doméstico no município. Sem uma definição sobre o futuro do atual depósito de lixo e a instalação do aterro sanitário, cuja área escolhida fica na saída para o distrito de São Martinho, o proprietário da Comaves Frangovit, Paulo Muniz, que mantém uma unidade reprodutora animal no município, ameaça mudar sua empresa caso o aterro venha mesmo a ser instalado numa área vizinha.
Muniz, que também é presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), participou recentemente de uma reunião com produtores rurais onde alertou para o perigo de contaminação dos produtos agropecuários com o lixo doméstico. O mundo está debatendo o aspecto sanitário. Os depósitos de lixo contaminam, não somente com o churume, mas com o mau cheiro e vetores (moscas), afirmou.
Para ele, a proposta de aterro sanitário controlado é um processo perigoso. Os técnicos afirmam que o sistema funciona. Mas isso depende da vontade política dos governantes. Sabemos que os governos dificilmente continuam o projeto de outra administração, comentou. Paulo Muniz questiona se a área é a ideal e se não haveria a possibilidade de a prefeitura indicar uma outra área.
Seguindo a tendência de mercado e as exigências mundiais, o empresário argumentou que escolheu a área onde está instalada a unidade reprodutora da Comaves Frangovit por estar longe de qualquer contato que possa contaminar as matrizes. A empresa fica no final de uma estrada para não ter interferência externa. Apresentamos os projetos para a prefeitura que foi nossa parceira. Agora ela anuncia a instalação do aterro vizinho à nossa propriedade, desabafou. Ele não vê alternativa a não ser mudar a empresa de local, caso o aterro seja realmente instalado ali.
No Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Londrina, o chefe regional Antônio Carlos Cobo Pires informou que o processo do aterro sanitário ainda está no começo. Eles estão com a licença prévia. Temos ainda outras duas etapas até que a licença definitiva seja concedida, argumentou. Para ele, o projeto do aterro sanitário é o mais viável no momento para os municípios. O ideal seria a incineração, mas ainda não temos esta tecnologia e o custo é muito alto, salientou.
Pires explicou que a área foi escolhida entre as apresentadas pela prefeitura. Entre outros quesitos, o local foi escolhido por ser distante da cidade. Ontem a Folha tentou falar com o prefeito de Rolândia José Perazolo (PTB) sobre o projeto, mas ele não foi encontrado na prefeitura. O mesmo aconteceu com o secretário municipal de Meio Ambiente, Claudinei Barão Sanches.





