O destino da usina de reciclagem e compostagem de lixo comprada há quatro anos pela Prefeitura de Londrina, por R$ 1,2 milhão, só será definido na próxima gestão. O complexo deverá continuar guardado no barracão da empresa fabricante Iguaçumec, em Cornélio Procópio. A afirmação é do presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) Rafael Fuentes, que apresentou o equipamento ontem para a imprensa.
Em entrevista anterior à Folha, ele afirmou que a usina não foi instalada nestes quatro anos por ‘‘falta de vontade política’’. Elsoni Delavi, técnico da AMA que já trabalhava na autarquia na época da compra, explicou que a usina foi adquirida para ocupar uma área no atual ‘‘Lixão’’, localizado no bairro do Limoeiro (zona leste). Por causa da grande quantidade de lixo enterrada, o terreno não comportou as fundações necessárias.
‘‘Uma área ao lado foi declarada de utilidade pública para instalação do complexo, mas o proprietário entrou com efeito suspensivo e o processo está na justiça até hoje. A usina não foi trazida para Londrina por falta de espaço’’, disse, ressaltando que a área também seria utilizada para construção de uma estação de tratamento de chorume.
A questão da usina veio à tona com a pressão da empresa fabricante. ‘‘A acomodação do equipamento está causando transtornos, pois o barracão, de 600 m2, é utilizado para fazer a pré-montagem de outras usinas’’, afirmou o diretor-presidente da Iguaçumec, Yoshio Akashi.
Como a atual gestão está nos seus últimos dias, a decisão sobre o que será feito com a usina foi repassada para o próximo prefeito. Nedson Micheletti (PT), prefeito eleito, afirmou que ainda não sabe que destino dará ao complexo. A sua utilização irá depender da avaliação de técnicos e de uma política para resolver o problema do lixo, que será criada a partir de debates com a comunidade.
‘‘A partir de janeiro vou realizar debates com técnicos, especialistas no assunto, organizações não governamentais, com a comunidade e buscar dados de experiências bem sucedidas para definir qual a melhor forma de tratar o lixo da cidade’’, declarou.
Nedson Micheletti adiantou que a próxima empresa a realizar o serviço na cidade – o contrato da Vega Sopave vence em julho – também deverá realizar serviços como coleta seletiva, coleta de lixo hospitalar, entre outros. A empresa que vencer a licitação já estará ciente dos serviços que terá que prestar.
Quanto à usina, ele acredita que será possível utilizá-la, mas adianta que a princípio a idéia é criar centrais de captação de lixo. Para a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Luciana Lepri Moreira, o sistema de coleta e destino do lixo com base em usina de reciclagem e compostagem é obsoleto.
Só é possível resolver o problema do lixo, segundo a promotora, diminuindo a quantidade produzida, o que depende de uma coleta seletiva eficiente. ‘‘E coleta seletiva só funciona com um programa de educação ambiental’’, explicou. A forma mais rápida e eficaz de conseguir com que a população passe a separar o lixo em casa é através do incentivo, segundo a promotora.
Ela cita o exemplo de Toledo onde, através do programa Lixo Útil, a população troca lixo limpo por alimento. Até o final do ano passado o município reciclava 35% do lixo.

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