A armação dos óculos enviados pelo presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) se desfez com o tempo. ‘‘Ela esfarelou’’, explica o oftalmologista Rubem França. Em 1975, o ex-presidente escreveu-lhe: ‘‘Felicito-o pela magnífica idéia de organizar um museu de óculos de pessoas que ao seu ver tenham sido úteis ao País.’’
  As lentes de JK repousam na prateleira ao lado do modelo enviado por João Baptista Figueiredo (1979-1985), por sua vez próximo ao de Jânio Quadros (janeiro a agosto de 1961).
  Dos que pertenceram a ex-presidentes, ainda fazem parte do acervo um modelo que foi de João Café Filho (1954-1955) e outro de Nereu Ramos (novembro de 1955 a janeiro de 1956). Os homens são maioria, mas há exceções, como o cedido pela cantora Elizeth Cardoso, de quem França é fã.
  Seu consultório lembra uma Curitiba de outros tempos. O médico nasceu na Capital, em 1922. ‘‘O que mudou mesmo foi o trânsito. Antes, estacionava o carro aqui na frente e ficava aborrecido quando não tinha espaço. Hoje, nem pode mais parar.’’ Atualmente, na rua Emiliano Perneta, na mesma quadra do consultório, dois estacionamentos cobram
R$ 6,60 a hora.
  ‘‘Quando ensarilhar as armas, vou doar o conjunto de óculos ao Museu da Associação Médica do Paraná (AMP)’’, explica França sobre o seu desejo no momento em que parar de trabalhar. ‘‘Temos muito interesse’’, confirma Ehrenfried Wittig, 71, criador e diretor do Museu da História da Medicina da AMP.
  ‘‘Os médicos têm muito interesse por coleção. Tem um que guarda um acervo sobre a lepra, outro que coleciona bicicletas e um terceiro que possui canetas de alto nível’’, conta Wittig. Ele próprio tem seu costume peculiar: coleciona ferros de passar roupa antigos. ‘‘Tenho mais de 200 em minha casa.’’ (R.U.)

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