Destinação do lixo é debatida em Toledo
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Técnicos de órgãos oficiais e entidades não-governamentais que atuam no saneamento básico e meio ambiente estarão reunidos entre hoje e sábado em Toledo (45 quilômetros a oeste de Cascavel), no Seminário Nacional sobre Resíduos Sólidos. Os especialistas discutirão o processo que envolve o lixo, do recolhimento ao tratamento final. As preocupações principais são a existência de montanhas de lixo a céu aberto na maioria das cidades brasileiras, sem programas de reciclagem, e milhares de pessoas revirando-as para catar objetos comercializáveis ou alimentos, com grave comprometimento à saúde pública.
O seminário deve reunir mais de 50 técnicos do Brasil e exterior, e é organizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), prefeitura e Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Toledo (Funtec). Segundo o sanitarista Nicolau Obladen, diretor da Abes, que está em Toledo desde ontem, há necessidade de se enterrar coisas malfeitas, pois o lixo de uma cidade não pode ser fonte de sobrevivência de seres humanos.
Obladen, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, diz que solucionar o problema do lixo significa respeito à cidadania e aos direitos humanos. Ele observa que grande número de famílias convive diretamente com o lixo, que é revirado inclusive por crianças. No seminário, será apresentado o programa Criança no lixo nunca mais, do Unicef (órgão das Nações Unidas para a infância), que visa dar alternativas de renda para quem vive em torno dos chamados lixões. Na América do Sul, há cem mil pessoas nestas condições, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Ambientalistas ressaltam que a reciclagem do lixo leva à minimização dos impactos ambientais, economia de matéria-prima e energia para produção dos materiais que resultam em resíduos, e contribui para a melhoria da qualidade de vida da população, com geração de renda e de empregos. Estatística da OMS indica que populações de nível social e econômico mais elevado geram mais lixo, decorrência direta do melhor poder aquisitivo. No Canadá, cada habitante gera em média 1,9 quilo ao dia, nos Estados Unidos 1,5 quilo, e no Brasil 500 gramas diários, mas os volumes de reciclagem são maiores exatamente na ordem inversa.





