Destinação de lixo gera polêmica
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quarta-feira, 23 de abril de 2008
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Diretores de empresas grandes geradoras de lixo de Curitiba e Região Metropolitana querem se reunir com representantes do Ministério Público e da prefeitura da capital paranaense para discutir a destinação do lixo orgânico. Na semana passada, a prefeitura, acatando recomendação do MP, começou a notificar cerca de 150 grandes geradores de lixo para que não mandem mais resíduos orgânicos para o aterro sanitário da Caximba, que recebe o lixo de Curitiba e de 15 municípios vizinhos.
De acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, são considerados grandes geradores estabelecimentos que produzem lixo numa quantidade acima de 600 litros por dia. Segundo o secretário José Antonio Andreguetto, das cerca de 150 empresas que estão sendo notificadas, aproximadamente 110 são de Curitiba e as restantes são da Região Metropolitana. Ele comentou que entre esses grandes geradores estão shopping centers, supermercados, fábricas e grandes restaurantes. A prefeitura estipulou que os grandes geradores devem parar de enviar lixo orgânico à Caximba e apresentar alternativas dentro de 15 dias a partir da notificação.
Os empresários querem um prazo maior. Luiz Carlos Podzwato, superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setcepar), disse que nesta semana foi realizada uma reunião com representantes de vários segmentos. Os empresários solicitaram uma audiência à prefeitura.
''Queremos conversar e achar uma solução. Dentro disso, estabelecer um prazo para essa solução'', afirmou Podzwato. ''Há o problema do prazo e o problema de onde colocar esse lixo. Hoje não tem alternativa. Há a Caximba e mais nada, não há uma empresa que cuide do assunto, não há outro aterro''.
Podzwato afirmou que as empresas de transporte de cargas foram notificadas, mas defende que o setor não é grande gerador de lixo orgânico. ''Nós não geramos o lixo. Mas os transportadores são parte do processo e queremos ajudar a encontrar uma solução'', disse.
A Federação das Indústrias do Paraná informou que as indústrias não serão tão afetadas pela decisão, porque quase não lidam com lixo orgânico e normalmente já têm planos de geração e destino de seus resíduos.
Andreguetto explicou que a decisão de proibir o envio do lixo visa prolongar a utilização do aterro, que está perto do esgotamento. O poder público havia estipulado que o aterro seria desativado no final deste ano. Mas o prazo foi prorrogado para meados de 2009 porque o processo para instalação de um novo sistema de tratamento de lixo da RMC está paralisado. Em março, foi lançado o edital para a contratação de uma empresa que implantaria o novo sistema, que vai utilizar técnicas diferentes do sistema de aterro. Porém, empresários, alegando que o edital teria problemas, obtiveram liminares que paralisaram o processo.


