Destinação de isopor desafia poder público
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quarta-feira, 04 de junho de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina Separar o isopor como material reciclável ainda é dúvida entre os moradores de Londrina. O produto pode ser totalmente reaproveitado como matéria-prima na fabricação de rodapés, molduras de quadro e itens plásticos. No entanto, a falta de indústrias de transformação na região e problemas logísticos para o transporte do material fizeram com que grupos de reciclagem deixassem o produto de lado na hora da coleta.
Cinco cooperativas são cadastradas junto a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e recebem apoio do poder público para executar a coleta e a venda dos materiais recicláveis. Aproximadamente 600 pessoas sobrevivem da atividade em Londrina. Os produtos são vendidos conforme o peso coletado, o que não se torna lucrativo no caso do isopor.
No barracão da Cooper Mudança, o material ocupa espaço improvisado. A recicladora Keli Regina Graciano trabalha há mais de cinco anos no setor e contou que o isopor nunca teve destinação correta em Londrina. "Quando a gente recolhia, não tinha o que fazer com aquilo. Não tem comprador e ocupa muito espaço. Atrapalha o trabalho no barracão", disse.
A analista em gestão ambiental e responsável pelo setor de reciclagem na CMTU, Eliene Moraes, destacou que a coleta do material é retomada aos poucos, numa tentativa de reduzir o montante encaminhado para a Central de Tratamento de Resíduos (CTR). "Ele vinha como rejeito ou como orgânico e era levado todo para lá. Agora estamos apoiando um projeto do Instituto Brasileiro de Florestas (IBF) para a produção de mudas de plantas", explicou Eliene.
Representantes do instituto entraram em contato com as cooperativas para viabilizar a doação do material coletado. A intenção da CMTU é formalizar uma parceria com o IBF. "Como contrapartida, o instituto poderia investir nas cooperativas com a compra de equipamentos e outros itens", afirmou a responsável pelo setor. Com a retomada gradativa da coleta do isopor, os moradores já podem descartar o material em sacolas separadas para facilitar a destinação correta.
Ponto ideal
A doação pelas cooperativas é feita uma vez por semana quando representantes da empresa coletam o material nos barracões. O fundador do IBF, Solano Martins Aquino, explicou que o isopor é triturado na sede da empresa em Apucarana (Centro-Norte) e é misturado ao substrato de mudas nativas para auxiliar no desenvolvimento das plantas.
As tentativas para reaproveitar o material já duram dois anos. Segundo o biólogo, o ponto ideal para a aplicação nos viveiros foi obtido há três meses. "98% do isopor correspondem ao ar e só 2% são sólidos. Ele não é tóxico e funciona como isolante térmico, o que favorece o desenvolvimento das raízes", destacou.
O isopor, processado em Apucarana passa por uma peneira fina de 5 milímetros. Um fertilizante é aplicado no material e auxilia a retenção de água em benefício das mudas do viveiro. "Um pó hidratado vira uma espécie de gel que absorve e libera a umidade lentamente. Em torno do gel é colocado o isopor que auxilia a retenção da água e faz a liberação gradativa", detalhou. Aquino garante que a proposta não gera passivo ambiental.
Conforme o biólogo, o material leve reduz os custos da produção, facilita a logística e o transporte das plantas, além de melhorar o desenvolvimento das mudas. Entre as mais de 200 espécies produzidas estão jequitibás, perobas, ipês e cerejeiras.
O instituto fundado em 2006 possui uma sede administrativa na zona sul de Londrina. Ainda em fase experimental, o projeto quer viabilizar o uso do isopor nos 20 viveiros da empresa espalhados pelo país. O IBF processa 50 mil litros de isopor por mês, mas vai faltar matéria-prima para ser aplicada nas mais de 10 milhões de mudas produzidas por ano.
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