Lúcio Flávio Moura
De Londrina
Autuada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por poluir o Rio Laranjinha em dezembro do ano passado, a Destilaria de Álcool Ibaiti (Dail), em Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho), deve começar a fazer obras de adequação no sistema de lavagem de cana da unidade.
Segundo informou uma fonte da diretoria que não quis se identificar, até o início da safra, a destilaria deve abandonar o atual sistema de decantação e substituí-lo por outro, mais moderno, denominado de circuito fechado. Neste sistema, a água é reaproveitada em várias lavagens.
Caso a empresa não conclua as obras a tempo, o IAP poderá multá-la novamente e até mesmo pedir a interdição da indústria. A primeira multa foi de R$ 1,7 mil, a maior neste tipo de infração. Com a entrada em vigor da nova Lei Ambiental, a reincidência poderá custar caro à destilaria, que poderá ter que desembolsar até R$ 50 mil.
O Ministério Público e a Polícia Civil de Ibaiti ainda não concluíram os inquéritos sobre o caso. A Folha apurou que a determinação de ambos será para que a Dail repovoe o trecho de 700 metros do rio, onde os laudos constaram lançamentos de efluentes industriais fora dos padrões estabelecidos por lei.
A fonte da Dail disse que o caso foi ‘‘um episódio atípico’’, ocasionado pela baixa vazão do rio na época (o nível da água estava dois metros abaixo do normal) e que ‘‘a empresa se preocupa muito com a questão ambiental e que os estudos para a implantação do novo sistema já estão bem avançados’’.
O desastre ambiental ocorreu em 5 de dezembro, por causa da desoxigenação da água. O autor das denúncias, o vereador de Ibaiti, Gilmar Ferreira Cândido (PFL), fotografou a mortandade de carpas, carás e dourados, alguns exemplares pesando mais de 10 quilos. Nas fotos, aparecem também um tatu e um jacaré mortos. Para Cândido, a causa do desastre teria sido a poluição por vinhoto, hipótese descartada, com base nos resultados dos laudos, pelo chefe do IAP em Jacarezinho, Luiz Tarcísio Mossato Pinto.

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