Matando as saudades dos vovôs

É aquilo que o jornalista Wilson Silva disse em entrevista a esta coluna: a maior paixão do homem parece que é a mulher, mas quando a bola rola, numa decisão de título, aqueles 90 minutos ou um pouco mais tomam conta de todos. E hoje em dia, até das mulheres, que estão se transformando em torcedoras fanáticas. E quando jogam as seleções de Brasil e Argentina, o maior clássico do mundo, para brasileiros e portenhos, haja coração! Foi o que aconteceu domingo último, quando as ruas dos dois países ficaram praticamente vazias, durante a disputa da partida, decisão por penaltis e festa final pela conquista lá no Estádio Nacional de Lima, Peru. Até o índice de criminalidade caiu, pois a bola consegue o milagre de parar até a ação dos marginais. E o futebol dá lições importantes. De humildade, por exemplo, como aconteceu domingo. O argentino Tevez, 20 anos, tentou gozar os brasileiros e o que conseguiu foi perder o título que a Argentina ganhava aos 45 minutos do segundo tempo. Ele e seus companheiros jamais vão se esquecer desta lição. E os brasileiros aprenderam também, pois a bola é uma grande mestra. Eu só lamento que o Brasil esteja fora do torneio de futebol das Olimpíadas. Mas como ontem a folhinha marcou o ‘dia dos avôs’, peço licença ao pessoal do departamento de esportes, para homenagear os veteranos torcedores e jogadores de futebol. Já que a coluna não pode enviar uma Sharon Stone ou uma Catherina Zeta-Jones de presente aos vovôs, publicamos as fotos do album de José Vezozzo, que quando estudante de colegial em São Paulo, foi jogador da Sociedade Esportiva Palmeiras, por sinal o time do meu avô Chico Biaggio, de saudosa memória. Chegou a jogar com Oberdan, Caieira, Turcão, Waldemar Fiume, Lima, Liminha, Gino Orlando (que depois foi para o São Paulo) e Rodrigues. Foi reserva de Villladonica, o craque argentino do alvi-verde. Advogado e produtor rural, José Vezozzo mora há anos aqui em Londrina. Mas deixou o futebol, porque o médico do Palmeiras recomendou, em virtude de uma contusão nas costas. Mesmo assim, quando estudante de direito na Federal de Curitiba, José Vezozzo jogou no Atlético Paranaense, nos tempos de Jackson e Belfare, que acabaram indo para o Corinthians. Era o tempo do futebol-arte, da paixão pela jogada bonita, pois os torcedores aplaudiam até as grandes jogadas dos adversários, conta Zé Vezozzo. Quem o viu atuar, como seus irmãos Alcides, Alceu e Roberto, além de outros amigos, me disseram que ele foi um cracaço de bola.


O São Paulo, campeão de 43, foi o vice de 44. Entre os que estão em pé, Rui Campos e Noronha, que formavam a famosa linha média com Bauer. No ataque, os fantáticos Luisinho, Sastre (o excelente argentino), Leonidas da Silva (o diamante) Tim e Teixeirinha


O primeiro time - Este é o time do Operário, fundado em 1935, em Londrina. O grande incentivador era Jacob Bartolomeu Minatti, empresário e poeta. A foto do Studio (como é importante a fotografia), foi me emprestada pelo advogado (turma pioneira) e empresário londrinense Edgar Baer. O técnico, de gravata, era Francisco Martins Pinto, conhecido como Chico Velho. O segundo atacante agachado, de gorrinho, é Mazzer. Maria José, filha dele, é casada com o empresário Edgar Baer. Eles se conheceram quando tinham cinco anos de idade.


O time do Palmeiras, campeão paulista de aspirantes. José Vezozzo, nascido em Cambará, há anos em Londrina, é o último em pé, à direita. Era um ótimo meia armador. Entre seus companhyeiros, Sérgio, Conti, Fuad, Turcão, Alemão, Cláudio, Gino Orlando e Rodrigues. Era o tempo da bola de capotão. Das figurinhas de futebol das balas A Americana, que todo garoto colecionava.


Og Moreira, Caieira, Oberdan Catani, Oswaldo Jengo e Dacunto; Lima, Gonzales, Caxambu, Villadonica e Jorginho, eis o Palmeiras, campeão paulista de 44. O alvi-verde veio a Jacarezinho e ganhou da Esportiva, que era um timaço, campeão do Estado. Naquela cidade, contaram Alcides Vezozzo e Gustavo Lessa, durante café com torta suiça no Hotel Bourbon, o prefeito da época, Benedito Moreira, de saudosa memória, pedia alguns centavos de cada litro de gasolina que os postos vendiam para o time da cidade. Que foi campeão do Paraná. Bons tempos para Jacarezinho tambem

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