Destaque entre os projetos
''Onde tem muito caminhão, muito ônibus, o trânsito gera interferência. As pessoas acabam não percebendo pelo olhar, mas às 18 horas temos de fechar todos os vidros'', diz Sandra Joia, diretora do Museu de Arte, avaliando a poluição da Rua Sergipe.
E recorre a uma amostra perceptível, com a qual os olhos ainda não se acostumaram, porque só apareceu agora: o prédio na Rua Benjamin Constant esquina com Hugo Cabral, que abrigou uma tradicional loja de rolamentos, revelou-se enegrecido ao ficar sem as placas que escondiam a fachada.
No museu, os vidros trincados no piso nivelado à rua são consequência do impacto do trânsito, acredita Sandra. Aos 59 anos e aguardando o projeto de restauração, ''o prédio está trabalhando'', cedendo em algumas partes, afirma Sandra, independente do que possa ser a causa. Segundo ela, um engenheiro recomendou que sejam deslocados frequentemente os blocos de concreto, que suportam objetos expostos, para diminuir a pressão. A movimentação exige cinco homens e Sandra decidiu retirar os blocos.
No acesso pela Rua Sergipe, a ponta da cobertura obriga os visitantes mais altos a se abaixarem, detalhe que Artigas comentou em 1983: ''Ela era um pouco mais alta quando a construí. Creio que cedeu um pouco, o que é perfeitamente normal''.
O projeto de restauração está para ser concluído, pela Arquibrasil Arquitetura e Restauração, de Curitiba. ''Será mais uma obra de correção'', em termos da originalidade, incluindo a pintura, define a arquiteta Jussara Valentim. Segundo Sandra, estão previstas readequações apenas no piso inferior, incluindo-se um compartimento que se descobriu isolado e sem uso, que vai permitir a mudança da guarda do acervo (400 objetos) para um espaço maior. Não haverá interferência na biblioteca.
Estação Rodoviária inaugurada em 1952 e hoje museu, o edifício é destaque nos compêndios da arquitetura brasileira, entre os projetos de Vilanova Artigas. Embora Artigas o defendesse enfaticamente para a primeira finalidade, apesentava inconvenientes. Historiadora da obra, Juliana Suzuki observa que Artigas repetiu a escala da arquitetura residencial paulistana e ''os pés-direitos muito baixos mostraram-se impróprios para uma Rodoviária, reforçando a sensação de aperto de que se queixavam os usuários''. (W.S.)





