É por meio das guias de piso tátil instaladas nas calçadas que os deficientes visuais se orientam. Elas são ferramentas importantes na missão de fazê-los mais independentes. O problema é que muita gente não tem consciência da importância delas para os cegos e não respeita. Durante a semana, a reportagem da FOLHA flagrou várias cenas de desrespeito em um breve passeio pelo centro da cidade. Os grandes vilões ainda são os motoristas, que estacionam nas calçadas em cima das guias de piso tátil.
"Tenho alguns alunos que já sofreram com isso", conta a professora de orientação e mobilidade do Instituto Roberto Miranda, Fátima Aparecida de Assis. "Se todos os motoristas tivessem mais respeito, digo até solidariedade e humanidade mesmo, seria muito mais fácil para eles", cobra a educadora.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), estacionar em cima da guia de piso tátil é uma infração considerada grave. A multa é de R$ 127,69, além de resultar na perda de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Mas este não é o único obstáculo que os cerca de 2 mil deficientes visuais de Londrina são obrigados a enfrentar todos os dias pelas calçadas da cidade. Muitas guias táteis foram construídas sem obedecer o padrão estabelecido pela Secretaria de Obras. O Manual de Orientação para construção de calçadas instrui que o espaço entre o muro ou portão e o início da guia deve ter 40 centímetros, mas não é o que acontece em muitos casos observados pela reportagem. Com isso, o alinhamento das guias varia entre uma calçada e outra, o que acaba confundindo quem precisa dela para se guiar.
Morador dos Cinco Conjuntos, Washington dos Santos caiu nessa armadilha. Ele ainda sente as dores de um tombo na última terça-feira, perto da casa dele. "Desci do ônibus, fiz o rastreamento, mas a calçada tinha muito mato, acabei me desconcentrando e quase caí na boca de lobo, que estava aberta. Só não foi pior porque coloquei a mão na frente e consegui segurar. A bengala virou um oito e meu tornozelo ainda dói bastante", descreve ele, apontando para o pé esquerdo inchado.

Desrespeito sobre as faixas para cegos
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O prazo para regularização das calçadas, de acordo com a lei municipal 11.381/2011, terminou em novembro de 2012, mas ainda é possível ver em pleno quadrilátero central estabelecimentos comerciais que ainda não se adequaram.
O secretário de Obras, Walmir Matos, disse que não há como aplicar qualquer tipo de sanção para donos de calçadas construídas antes da criação da lei. "A não ser que a pessoa realize algum tipo de reforma. Mesmo não tendo piso tátil não fiscalizamos, exceto a região do quadrilátero central. Fiscalizamos para expedição de Habite-se. Não sai um Habite-se sem que a calçada esteja feita de acordo com a norma, em qualquer local da cidade", garante.
"Infelizmente nossas calçadas não são acessíveis. No curso, a gente já trabalha bastante com eles a percepção tátil, o uso da bengala e a audição mais aguçada para que eles possam desviar de possíveis obstáculos e evitar acidentes", frisa a professora.

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