Desrespeito no trânsito exige paciência
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
O desrespeito às leis de trânsito e aos princípios básicos da convivência testam diariamente a paciência de condutores e pedestres. São motoristas de ônibus que seguram o tráfego para pegar passageiros, condutores que não dão seta para indicar para onde estão indo ou que não dão passagem a outros carros. Outro problema constante é o estacionamento em locais proibidos. Flagrar irregulares nas ruas e avenidas da cidade é, portanto, uma triste rotina.
Os condutores de ônibus urbanos, que são cobrados o tempo todo para cumprir horários, muitas vezes utilizam o porte dos veículo para poder segurar o trânsito. Outros evitam estacionar perto da guia da calçada porque não conseguem retornar para a pista de rolamento, por causa do grande movimento.
O motorista Antônio Bortolotto, de 52 anos, por outro lado, acrescenta que carros estacionam na parada do ônibus. ''E quando o ponto de ônibus fica no começo da vaga, a entrada fica longe do ponto. Precisamos parar no meio para que os passageiros não reclamem'', comenta.
Já Vilson Bairral, 54, garante que nunca parou longe da guia das calçadas, mas diz que a espera até conseguir retornar à pista faz com que perca até um minuto por parada. ''Às vezes atrasamos até cinco minutos e aí não conseguimos ir ao banheiro, por exemplo.''
O gerente comercial Valter da Silva, 55, conta que várias vezes seu carro foi bloqueado por ônibus parados no meio da rua. ''Esse tipo de situação sempre atrapalha, e acontece também porque os outros carros não deixam os ônibus estacionarem no local correto'', observa. ''Já me deparei com ônibus ocupando metade da pista, mas a gente não pode ultrapassá-lo e isso atrapalha o trânsito'', relata o aposentado Luiz Carlos Novaki.
Para a usuária de ônibus Maria Rodrigues Santos, 81, a parada distante da guia acabou resultando em um acidente. ''Eu não alcancei a calçada e caí'', relembra. Ela critica os motoristas de ônibus e aconselha que eles parem bem perto das guias.
A atitude de parar no meio da rua para agilizar o trabalho é condenada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Coletivos (Sinttrol), João Batista da Silva, e pelo diretor de Operações da Transportes Coletivos Grande Londrina, Daniel Martins. Porém, Martins ressalta que há muito desrespeito dos veículos de passeio e motocicletas com os ônibus. ''Eles são constantemente fechados por outros veículos'', relata.
Muitas vezes a irritação acaba extrapolando e o resultado são as brigas de trânsito. O corretor de imóveis Ângelo Góes, 60, já se desentendeu com outro motorista. ''Uma pessoa fechou o meu carro e eu acabei discutindo com ela'', relata.
A falta do uso da seta também gera reclamações constantes. O vigilante Leonardo Matsumoto, 26, critica quem não aciona a seta ao mudar de direção. ''Quase bati o meu carro contra o de um sujeito que me fechou sem sinalizar'', observa.
A especialista em Psicologia de Trânsito, Julieta Arsênio, de Londrina, ressalta que se a pessoa tem uma carteira de habilitação, significa que é hábil para dirigir e não haveria necessidade de fiscalizá-la. ''Mas, infelizmente, o que se vê é que a educação no trânsito está falhando'', afirma.
Julieta acha que a maneira como os motoristas são educados deveria ser outra. ''Em vez de criticar o mau comportamento, deveríamos elogiar os bons exemplos'', afirma. Ela sugere que todas as vezes que alguém realizasse uma ação exemplar no trânsito deveria ter sua placa anotada e enviada para o órgão responsável pela fiscalização e, quanto mais vezes fosse citado, receberia um elogio'', sugere.
O comandante da Companhia de Trânsito da Polícia Militar (Ciatran), capitão Mário Celso de Andrade, afirma que nenhuma atitude de desrespeito às leis ou à boa convivência no trânsito pode ser justificada pelo atraso. ''As distâncias em Londrina são curtas demais para que a diferença de um atraso seja descontada no acelerador'', alfineta.


