Desrespeito às vagas especiais gera mais de 600 autuações em Londrina
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sexta-feira, 19 de julho de 2019
Micaela Orikasa e Larissa Larissa Sato - Reportagem Local 
"Eu demoro, em média, 12 minutos para montar a cadeira de rodas e tirar a Valentina do carro. Não é só estacionar e descer. Tem toda uma logística”, explica Michelle Berbet Santos, cuja filha tem deficiência física

De janeiro até o início de julho, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) aplicou 625 autuações pelo uso inadequado das vagas de estacionamento destinadas a idosos e deficientes em Londrina. Se esse total fosse diluído por mês, seriam mais de cem infrações nas ruas de Londrina. Do total, 246 eram destinadas a deficientes e 379 para a terceira idade.
“Infelizmente, acredito que esse número poderia ser ainda maior, pois atualmente temos muitos agentes trabalhando na sinalização de vias em obras e que, portanto, não estão circulando a todo momento para fiscalizar”, afirma o diretor de Trânsito da CMTU, major Sérgio Dalbem. Ele também considera o aumento de veículos circulando na cidade, o que pode levar muitas pessoas a "aproveitarem" as vagas especiais.
Dados da CMTU apontam ainda que em 2018 foram lavradas 852 multas, sendo 461 referentes às vagas da terceira idade. Já em 2017 o total foi de 804 autuações (359 em vagas de deficientes e 445 de idosos). "Vejo uma falta de humanidade, de conscientização das pessoas que abusam em ocupar um espaço que não é delas. A multa só vai diminuir se nosso respeito ao próximo for colocado em prática”, comenta Dalbem. Em Londrina, são atualmente 213 locais de estacionamento exclusivo para idosos e 231 para deficientes.
Dalbem explica que a demarcação das vagas tem o objetivo de proporcionar uma melhor acessibilidade dessa população aos locais públicos. “Não é a toa que elas estão próximas a guias rebaixadas para facilitar o desembarque e o acesso às calçadas. As vagas para os deficientes são também mais largas para ajudar na retirada de cadeiras de rodas”, diz.
Para quem está nas ruas diariamente e depende das vagas especiais, como Michelle Berbet Santos e a filha Valentina (que tem uma deficiência física), a indisposição com outros condutores é constante. “Muitas vezes, evolui para agressões verbais. A pessoa acha que ela está certa, que não tem nada de errado e muitas vezes eu escuto: você não pode esperar?”, desabafa.
Segundo Santos, um dos locais mais “problemáticos” é na avenida Bandeirantes (região central), que abriga clínicas, laboratórios e hospitais. “Nós também temos horário marcado como qualquer outra pessoa e dois ou cinco minutinhos é tempo. Eu demoro, em média, 12 minutos para montar a cadeira de rodas e tirar a Valentina do carro. Não é só estacionar e descer. Tem toda uma logística”, comenta.
O aposentado José Leal da Silva Filho, 75, que utiliza o veículo para ir às aulas de alongamento, fazer compras e consultas médicas reforça que o desrespeito vai além de simplesmente ocupar o espaço. “As pessoas não respeitam também o limite da vaga. Muitas vezes eu fui estacionar e o outro veículo ocupava boa parte do espaço. As pessoas de modo geral não respeitam os idosos, seja em filas, nos ônibus, na faixa de pedestres. No trânsito então, é onde mais escuto xingamentos”, conta.

EDUCAÇÃO
O coordenador de Educação da CMTU, Carlos Eduardo Ribeiro, ressalta que o melhor fiscalizador é a própria população e que, por isso, a Companhia busca trabalhar com associações, entidades e grupos de apoio de idosos e deficientes. "São palestras e até campanhas de orientação de motoristas, pois uma coisa é um agente de trânsito abordar os motoristas e outra é uma mãe com criança ou um idoso falando. Tem outro impacto sobre a pessoa”, diz.
Uma das entidades que está em constante comunicação com a CMTU é a Afel (Associação Famílias Especiais de Londrina). “Ninguém melhor que eles para nos informar, desde a questão da disponibilidade de vagas até de situações inadequadas envolvendo os deficientes”, aponta.
Santos, que integra a Afel, conta que a associação tem o projeto “Fiscalizadores do Bem”, cuja proposta é manter a CMTU informada sobre casos de uso inadequado das vagas especiais. “As famílias nos enviam mensagens diárias sobre essas situações. Na minha opinião, está faltando empatia. A sociedade precisa agir de forma inteligente. As pessoas têm que se colocar no lugar do outro. Quando elas estão nas ruas, nós também estamos e esse é o motivo dessas vagas existirem”, completa.
CREDENCIAL
Para ocupar as vagas destinadas aos idosos e deficientes, os condutores (que podem ser os acompanhantes ou a própria pessoa) devem colocar no painel do veículo a credencial emitida pela CMTU. O documento tem dois anos de validade e a 1ª via é gratuita.
A penalidade para quem desrespeita as vagas especiais, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, é gravíssima (sete pontos na Carteira Nacional de Habitação) e multa de R$ 293,47.
SERVIÇO - Reclamações ou denúncias sobre as vagas especiais podem ser feitas pelo fone da CMTU - (43) 3379-7607. Situações envolvendo pessoas com deficiência também podem ser feitas à Afel - fone: (43) 98492-0104. Informações sobre as credenciais pelo fone (43) 3379-7900, na CMTU.


