Desrespeito ao
código continua,
mesmo com multas
Contagem de pontos que pode levar à suspensão da habilitação
está valendo há seis dias, mas motoristas parecem não ligar
Acidentes em estradas
também aumentaram
depois que pontos
começaram a valer
Adriana Ribeiro
Mauro FrassonAs multas estão sendo aplicadas há quatro meses e a contagem de pontos que pode levar à suspensão da habilitação está valendo há seis dias. Mesmo assim, o comportamento da maioria dos motoristas curitibanos continua não sendo um exemplo de respeito ao novo Código de Trânsito Brasileiro, em vigor desde 22 de janeiro. É o que pode ser visto nas ruas de Curitiba, onde até mesmo as pessoas que mais deveriam cumprir à risca as leis acabam cometendo infrações.
Um exemplo são os policiais da 1ª Delegacia de Acidentes de Trânsito de Curitiba, que costumam estacionar seus veículos sobre a calçada, em frente à casa onde funciona a delegacia, na Rua José de Alencar, no Alto da XV. No início da tarde de ontem, um Fiat branco descaracterizado e um Gol cinza com emblema da Polícia Civil, ambos sem placa, atrapalhavam a passagem dos pedestres que trafegavam pelo local.
Albari RosaDesrespeitoNa 1ª Delegacia de Acidentes de Trânsito, viaturas descaracterizadas estacionam em cima da calçada, mesmo com a garagem vazia (acima). ‘‘Nosso estacionamento é pequeno, o que faz com que os carros fiquem provisoriamente sobre a calçada’’, justifica o delegado. O desrespeito à faixa de pedestres (ao lado) é uma das infrações mais comunsO delegado Antônio Macedo de Campos Júnior concordou com o erro, mas tentou justificar que ele é cometido por necessidade. ‘‘Toda delegacia tem uma área de recuo, mas aqui não há. Além disso, nosso estacionamento é pequeno, o que faz com que os carros fiquem provisoriamente sobre a calçada’’, disse. Segundo Campos, há falta de estacionamento nas ruas próximas, e deixar o carro distante pode ser prejudicial em casos de emergência. Enquanto a explicação era dada, a garagem da delegacia estava vazia.
Órgãos envolvidos na fiscalização e aplicação das punições aos infratores ainda não possuem levantamentos que possam mostrar uma alteração no comportamento dos motoristas nas ruas de Curitiba. Mas seus diretores dizem que, a princípio, pouca coisa mudou. ‘‘Pode ter acontecido uma pequena alteração, mas ainda é cedo para dizer’’, comentou Kasuo Sakamoto, diretor da Diretran, responsável pelo trânsito da capital.
Mas a Polícia Rodoviária Estadual apresenta números que mostram que, assim como nas ruas da cidade, os erros continuam sendo feitos nas rodovias que cortam o Estado. Entre os dias 16 e 20 deste mês, 150 acidentes aconteceram nas estradas estaduais, que resultaram na morte de sete pessoas e em ferimentos em outras 110. No mesmo período, foram registrados oito atropelamentos e aplicação de 1.274 multas. Mas entre os dias 21 e 25, quando a contagem de pontos já estava valendo, os números foram ainda maiores: 170 acidentes, 15 mortes, 113 feridos, nove atropelamentos e 1.319 notificações.
O diretor do Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná, César Franco, acredita que a atual situação será revertida a partir do momento em que começarem a ser suspensas as primeiras habilitações. Segundo ele, o descaso dos motoristas fará com que haja uma ‘‘enxurrada de pessoas proibidas de dirigir’’.

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