DESRESPEITO - População sofre com poluição de frigorífico
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domingo, 26 de novembro de 2006
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Arapongas - O funcionamento do Frigorífico Frigomax (antiga Famaves), na região central de Arapongas, faz parte de uma história de desenvolvimento econômico que parece contada às avessas: ícone de pioneirismo durante décadas, transformou-se nos últimos anos em símbolo de atraso empresarial e desrespeito com as normas ambientais. Fundado em 1949, ano em que o município completou dois anos de criação - a partir da emancipação de Rolândia -, suas instalações ocupam uma vasta área de terra que circunda a nascente do Ribeirão Bandeirantes do Norte. Irregularidades ambientais diversas geraram mais de 12 multas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que somam R$ 648 mil, entre 2000 e 2004, e uma condenação local em ação civil pública - cujos efeitos foram suspensos no Tribunal de Justiça do Paraná. A empresa chegou a ser interditada pelo IAP em 2004.
A empresa é acusada de poluição atmosférica severa, via cozimento de carcaças de bovinos; despejo de resíduos contaminantes na nascente do ribeirão e descarte inadequado de restos sólidos. O frigorífico fica no meio de uma populosa área urbana - a Vila Cascata, composta por famílias de baixa renda e de classe média, que relatam diversos tipos sofrimentos.
''A situação é horrível, um mau cheiro insuportável. Muita gente sofre de fortes dores de cabeça em razão disso'', conta um morador vizinho ao frigorífico, que enviou quase uma dezena de reclamações a órgãos ambientais desde julho deste ano. ''O mau cheiro tem três variações, dependendo da hora: fezes, queimado e sebo'', conta. O morador assinou formalmente as reclamações, mas pediu para não ter a identidade revelada na reportagem.
Outras queixas levadas às autoridades - acompanhadas de farto material fotográfico - colocam em dúvida os cuidados sanitários do frigorífico. ''O local onde os caminhões páram para pegar carne é nojento: quando lavam a parte interna, cai todo tipo de resíduo na calçada, inclusive sangue. Como eles não limpam direito, aquilo seca no chão e no outro dia tudo se repete'', conta o morador. ''Além disso, a gente percebe que os funcionários chegam da rua vestidos com os uniformes. Se já chegam com sujeira da rua, como conseguem manter a higiene lá dentro?''
O morador ressalta que não está cobrando o fechamento da empresa e dos postos de trabalho gerados por ela - aproximadamente 200 empregos diretos. ''A gente quer que trabalhem, dêem emprego, mas eles têm que nos respeitar também. Por que não investem para resolver esses problemas todos?''
As queixas contra a empresa se repetem nas residências vizinhas. ''Se não tivesse esse mau cheiro, aqui seria um lugar bom. Do jeito que está é horrível'', conta a dona-de-casa que mora a poucas centenas de metros da unidade. O filho de 10 anos faz coro. ''Aqui, quando é hora do almoço ninguém consegue comer. Você está com o prato na mesa e entra aquele mau cheiro''. A exemplo do denunciante, os demais moradores também evitam revelar seus nomes por receio de alguma represália.


