O professor do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Efraim Rodrigues, responsável pela cadeira de recursos renováveis, teme que o consórcio para despoluir o Lago Igapó e os afluentes do Ribeirão Cambezinho fique só ‘‘na falação’’. Ele afirma que enquanto não houver uma mobilização contundente da população e vontade política as questões ambientais em Londrina continuarão sem o tratamento adequado.
A criação de um consórcio com a participação de entidades, iniciativa privada e da administração pública tem sido apontada como uma forma de combater as constantes agressões ambientais que o Lago Igapó vem sofrendo: descarga clandestina de óleo combustível, lixo jogado nos bueiros e que desembocam no lago, vazamento de esgoto e descarga de resíduos industriais.
Efraim Rodrigues afirma que a intervenção de organizações não-governamentasi (ONGs) nas questões ambientais só é necessária porque os órgãos responsáveis não atuam como devem. ‘‘Apesar de suas dificuldades técnicas, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deveria agir de forma um pouco mais dura’’, afirma. Ele se refere à autuação e fiscalização das indústrias que lançam resíduos na bacia.
Outro aspecto abordado pelo professor é quanto a origem de esgotos clandestinos lançados no Igapó. Segundo ele, existem formas tradicionais e simples de se descobrir a origem desses esgotos. ‘‘Não é uma questão técnica, mas sim política’’, afirma.
Diante da falta de providências efetivas que inibam a poluição do Lago Igapó, Efraim Rodrigues entende que considera a criação do consórcio é muito positiva. ‘‘Não podemos ficar à mercê das administrações’’. Segundo o presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Luiz Eduardo Cheida, a idéia do consórcio é transformar a bacia hidrográfica (afluentes) do Ribeirão Cambezinho em um comitê gestor de bacias, conforme é previsto em lei federal sobre o assunto.
ONGs, associação de moradores, fábricas e indústrias, clubes de serviço, já estão sendo contatados e, segundo Cheida, querem participar. O consórcio municipal será criado nos moldes do Copati – consórcio de proteção do rio Tibagi. O lançamento do consórcio será no dia 22 de março.

mockup