Na Zona Rural de Arapongas (Norte do Estado), os laboratórios de informática instalados nas quatro escolas pelo Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado) do Ministério da Educação (MEC) não são explorados em todo o seu potencial em função da falta de acesso à internet. A situação faz parte da rotina dos estabelecimentos de ensino rurais brasileiros. Do total de 78 mil escolas, 25 mil possuem laboratórios de informática mas não estão conectadas à rede.
De acordo com o secretário municipal de Educação, Paulo Valério, a prefeitura assinou o convênio com o ProInfo e já recebeu os laboratórios para as 25 escolas da rede. Na Zona Urbana, o acesso a internet gratuito até 2025, como prevê o programa, já está garantido. Na Zona Rural, a solução depende da operadora conveniada. ''Terá que ser por satélite ou 3G'', acredita.
''Ensinamos os alunos a manusearem os computadores e utilizamos jogos educativos, mas não temos condições de fazer pesquisas e associá-las ao conteúdo desenvolvido em sala de aula'', lamenta a professora de informática Erika Hatsumi Koyano Pedreia, da Escola Municipal Rural Duque de Caxias, no bairro Campinho.
Como a região também não tem biblioteca, os professores encontram dificuldades em realizar atividades previstas no planejamento, como a pesquisa e discussão de ''curiosidades'' duas vezes por semana. ''Os próprios educadores acabam trazendo de casa, o que limita o trabalho'', completa a professora Eliana Anklan Rezende, lembrando que a instituição sequer possui linha telefônica. ''Tem um orelhão aqui em frente, mas a linha não chega dentro da escola.''
Diante dessa realidade, estudantes das escolas rurais do município têm dificuldades para entender a utilidade da rede mundial de computadores. ''Não sei bem para o que serve. Queria pesquisar sobre jogos da Barbie'', contou Julia Gabriela Ramos Barreto, 10.
O irmão da menina, Gediel, 12 anos, nunca manuseou um computador e, estudando ''na cidade'', pede ajuda ao irmão mais velho quando precisa fazer pesquisas. ''Sou eu quem acabo fazendo os trabalhos para ele'', conta o primogênito Gabriel, 15, que fez curso de informática e, às vezes, usa a web na casa de um vizinho que tem acesso via rádio.
A situação preocupa o pai das crianças, o motorista Adilson Alves Barreto. ''Hoje o mundo gira em torno da internet. Quem não sabe usar pode ter dificuldades no futuro.''
Na Escola Municipal Rural Rocha Pombo, na Gleba Orle, o cotidiano da diretora Iuza Aparecida Gonçalves Barbosa é parecido. Com laboratório instalado, os computadores não estão sendo usados como deveriam por falta de conexão. ''Os professores contam com quadro negro e giz. A solução é trazer material de casa para as crianças não ficarem na 'era dos dinossauros''', diz.
Enquanto a internet não chega, alunos como Lucas, 8, e Gabriel, 6, passam os dias ''namorando'' os computadores da escola sem saber direito o que poderão fazer com a tecnologia. ''Quase todo mundo usa internet. Se a gente não tiver, vamos ficar fora dos assuntos'', preocupa-se Lucas. O amigo nunca manuseou um computador e não sabe para que serve a máquina. ''Tenho muita curiosidade, acho que deve ser bem legal'', acredita Gabriel.
O assessor especializado do Ipea, Carlos Paiva, acrescenta que a instalação da internet nas escolas exige investimentos também na capacitação dos docentes. ''É preciso ensinar o professor a usar a ferramenta e transformá-lo em multiplicador dessa ferramenta na comunidade dele. Só colocar computador e conectar à internet não resolve o problema.''

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