A Secretaria Municipal da Mulher, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, reuniu na tarde de ontem, no Hotel Blue Tree Premium, em Londrina, cerca de 120 participantes para o II Encontro Municipal de Mulheres com Deficiência. Durante o evento foram discutidos temas como superação de desafios e a realidade da mulher com deficiência em Londrina.
De acordo com a coordenadora do Centro de Vida Independente (CVI), Solange Maria Ferreira, a baixa escolaridade das mulheres com deficiência influenciou, por muitos anos, a entrada e permanência delas no mercado de trabalho. ''Hoje temos cotas para deficientes nas empresas e muitos empresários reconhecem a capacidade das pessoas com limitações'', assinalou Solange.
Ela ressaltou que a realidade atual é bastante diferente de 15 anos atrás, ''quando os portadores de deficiência eram considerados incapacitados pelos empregadores''. ''Muitas empresas até ampliam as cotas de postos de trabalho para deficientes, atualmente'', comentou.
No entanto, para Elizete Rodrigues do Prado, que sofre de poliomielite, a falta de emprego ainda é a principal dificuldade encontrada pelas mulheres com deficiência em Londrina. Ela mesma nunca trabalhou. ''Os empregadores não dão sequer oportunidade de estágio, por mais cursos que você tenha.''
Vanda Aparecida Mioto dos Santos concorda. Portadora de uma sequela de poliomielite, ela resolveu retomar os estudos para lutar por uma vaga no mercado de trabalho, apesar dos 50 anos. ''Voltei a cursar informática para ver se consigo alguma coisa'', contou.
Elas participaram do encontro de ontem com o intuito de apontar dificuldades do dia-a-dia e sugerir melhorias na condição da mulher londrinense com deficiência. ''Em encontros como este podemos lutar para que outros tenham oportunidades que nem sempre nós tivemos'', completou Elizete.
Para Solange Ferreira, a idéia do encontro é justamente estimular a participação das mulheres com limitações físicas, mentais e audiovisuais nas associações que as representam. ''É um despertar para que elas entendam que nada pode ser feito por elas sem a participação delas.''
Além da palestra e da apresentação de vídeos motivacionais, o encontro contou com uma dinâmica de relaxamento e expressão corporal, ''para integrar as participantes'', ressaltou Solange.
A fundadora da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), Maria de Lourdes de Macedo, também é portadora de sequelas de poliomielite e já passou por 40 cirurgias. Ela colocou que os maiores problemas para uma pessoa com deficiência são os obstáculos arquitetônicos e de transporte. ''Hospitais não têm banheiros adaptados, as calçadas são uma dificuldade para cadeiras de rodas circularem e ônibus adaptados não têm horários regulares.'' Segundo ela, além dos ônibus, ambulâncias também não têm estrutura para levar a cadeira de rodas.
Outra reclamação levantada pela fundadora da Adefil é a descrença e falta de informação das pessoas em relação à deficiência. ''Muitas pessoas me perguntam se sou mesmo deficiente ou estou apenas fingindo'', citou. Ela relatou que já viveu situações em que as pessoas evitaram aproximar-se ou ceder-lhe ajuda por acreditar que sua condição pode ser contagiosa. ''Apesar de tudo, já aprendi, como mulher e deficiente, a encarar as situações com habilidade. Não aceito injustiças e aprendi a não pensar duas vezes antes de lutar contra elas.''

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