Música e história em um mesmo passeio. A manhã de ontem foi um tanto quanto divertida para os cerca de 40 alunos da Escola Municipal Claudio de Almeida e Silva (Zona Sul de Londrina) e da Associação Solidariedade Sempre (ASS), que acompanharam a primeira apresentação do projeto ''Recital Social'', no Museu Histórico de Londrina.
A iniciativa integra o projeto de extensão OCA do Departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e chega à sua terceira edição neste ano com o objetivo aproximar o ambiente acadêmico e o universo das ações de inclusão sociocultural, despertando o gosto pela música erudita nas crianças.
O projeto foi idealizado pelo pianista Brenno Castello Branco, aluno do 2º ano de Licenciatura em Música da UEL e tem a participação do concertista Thiago da Silva Santos, que é monitor e também aluno de contrabaixo na ASS, parceira do projeto.
A Associação Solidariedade Sempre atende crianças em situação de vulnerabilidade social de cerca de 30 bairros carentes de Londrina. Elas têm a a oportunidade de conhecer a música erudita e aprender algum instrumento musical durante o contraturno escolar. A ASS foi fundada em 2003 e atualmente beneficia 80 crianças e adolescentes com idades entre 11 e 16 anos na sede localizada na Área Central.
Um exemplo é Gabriel da Silva Santos, 12 anos, morador do Jardim Nova Olinda (Zona Norte) e que participa dos projetos da Associação há cerca de um ano. ''Um amigo do prédio comentou com minha mãe sobre o projeto e eu quis começar. Hoje, eu toco saxofone e violino. Já me apresentei nas festas do fim de ano e minha família tem muito orgulho de me ver tocar'', sorri o menino.
Acompanhando a delicadeza do dedilhar do professor Brenno ao piano, Gabriel acrescenta: ''Amo isso. A música faz parte de mim. Quero me tornar maestro.''
Continuar trilhando o caminho da música é também o desejo da colega Amanda dos Santos Galdino, 12 anos, que há um ano e meio faz aulas de violino, violão e flauta doce na Associação. Ela foi encaminhada ao projeto por uma assistente social do Centro de Referência de Assistência Social. Todos os dias, a garota, que é moradora do Jardim Campos Elíseos (Zona Sul) acorda cedo e atravessa a cidade para ensaiar durante cerca de quatro horas.
Dedicação que, segundo ela, já tem frutos. ''Me sinto realizada quando toco e quando termino uma apresentação e todos aplaudem, a sensação é de recompensa pelo esforço ao longo do ano'', explica a garota, enquanto visitava o museu pela segunda vez. ''A iniciativa de reunir a apresentação musical e o passeio ao museu é muito legal, porque não é sempre que a gente tem a oportunidade de vir.''
De acordo com a coordenadora da ASS, Ellen Priscila Marques Figueiredo, para participar do projeto, as crianças devem ter bom desempenho escolar e vir de família cuja renda não ultrapasse o valor de até 30% do salário mínimo. Atualmente, a associação conta com várias empresas parceiras e tem o apoio da prefeitura e subsídio do governo por meio da lei de incentivo à cultura (Lei Rouanet). Cada criança tem o custo de R$ 400 para a associação.
Durante as aulas, as crianças têm a oportunidade de aprender até três instrumentos musicais de banda ou orquestra. Segundo Ellen, os principais resultados do projeto para as crianças são a melhora na autoestima, no desempenho escolar e a compreensão da importância da disciplina.

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