Um flagrante nada agradável: dezenas de pratos cheios de arroz sendo despejados diretamente no lixo de uma escola municipal da zona rural de Londrina. Em um minuto de imagens, capturadas por um cinegrafista amador, a prova da falta de respeito com o alimento que certamente seria mais bem aproveitado em qualquer outro lugar do mundo naquele momento.
O vídeo de 60 segundos capturou dez crianças limpando seus pratos após o almoço. Cada uma segurando uma fruta na mão ao despejar a comida na lixeira escolar. Enquanto isso, professores não podem se alimentar sequer dos restos da merenda dos alunos porque, segundo a Prefeitura, o recurso é determinado por criança e por dia letivo e o Município paga por refeição.
Desde a terceirização da merenda escolar, em novembro do ano passado, os alunos de escolas municipais têm direito, além do café da manhã e da tarde, a um almoço, com cardápio bastante variado. Os estudantes têm sobremesa e frutas diariamente e também mais legumes e verduras.
A secretária da Educação de Londrina, Carmen Sposti, assinalou que com a terceirização, muitas foram as reclamações com relação à merenda, principalmente no tamanho das porções servidas aos estudantes. ''As nutricionistas da Prefeitura e da empresa responsável pelo preparo das refeições definiram um porcionamento e no início, as merendeiras eram orientadas a estimular as crianças a comer o prato principal para depois comer a fruta, até como forma de educar os alunos'', disse a secretária.
As porções, ressaltou Carmen, contêm a exigência mínima de protéinas de que os estudantes necessitam para as atividades escolares. ''Descobriu-se, no entanto, que algumas crianças de regiões sócio-econômicas mais favoráveis preferiam comer só a fruta'', declarou.
Para contornar a situação, a secretária decidiu distribuir um questionário aos diretores dos colégios, o qual irá avaliar estes primeiros meses de merenda terceirizada. ''Os diretores terão até o início de julho para entregar as respostas'', avisou Carmen.
Segundo ela, os dados serão tabulados e apresentados numa nova reunião com os dirigentes das escolas, da empresa e com as nutricionistas responsáveis pelo cardápio. ''Está sendo avaliada até a troca de alimentos. Dependendo do horário, as crianças preferem um lanche ou um bolo com um achocolatado no lugar do arroz e feijão.''
O presidente do Conselho de Alimentação Escolar de Londrina, Roldão da Silva Filho, relembrou que os problemas com desperdício não são uma novidade na merenda terceirizada. ''Tem criança que quer só a fruta, outras preferem o prato principal.''
Depois de fiscalizar várias escolas, o presidente percebeu que é inviável forçar a criança a comer o que ela não quer. ''Já não é mais obrigatório o aluno comer o prato principal para só depois comer a fruta'', informou.
Ainda segundo Roldão Filho, depois de um acordo com os diretores das escolas e com a empresa fornecedora dos alimentos ficou estabelecido um local no colégio para que sejam armazenadas as frutas rejeitadas pelos estudantes. ''Assim as frutas que não são consumidas podem ser destinadas a outros alunos que querem comer. O Conselho também quer afixar nos corredores das escolas informações sobre o valor nutricional dos alimentos para educar e mostrar às crianças a importância de uma alimentação correta.''

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