Quantificar o desperdício de grãos ‘‘fora da porteira’’, durante o transporte e a armazenagem dos alimentos, é o objetivo de um projeto da Embrapa Soja e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que deve ser posto em prática neste ano. ‘‘Os últimos dados disponíveis são de um levantamento feito em 1993’’, explica o pesquisador José de Barros França Neto, da Embrapa Soja em Londrina.
  Com base nos números da década de 90, a equipe do projeto fez uma estimativa sobre as perdas atuais que revela números nada animadores. Segundo França, o país perde 22% do arroz, 15% do feijão, 17% do milho, 10% do milho e 9% do trigo produzido durante o transporte e armazenagem da safra.
  Considerando uma perda de 15% na média de todas as culturas e a produção de 147 milhões de toneladas de grãos na safra passada, o pesquisador contabiliza prejuízo de R$ 500 milhões a cada 1% de perda, alguma coisa equivalente a R$ 7,5 bilhões só em relação ao ano passado. ‘‘É um número muito significativo’’, considera França Neto.
  O pesquisador também informa que apenas nas estradas, de acordo com informações levantadas com a Confederação Nacional de Agricultura (CNA), o Brasil deixa R$ 2,7 bilhões derramados pelo chão a cada safra. ‘‘Significa 5% de toda produção’’, afirma.
  A causa de tanto desperdício é a falta de infraestrutura, evidente em estradas e frota malconservados, armazéns escassos e sucateados e até mesmo excesso de cargas nos caminhões. Outro problema, de acordo com o pesquisador, é o transporte de 60% das cargas por via rodoviária.‘‘É o transporte mais caro e menos vantajoso, principalmente para longas distân-cias’’, completa o pesquisador da Embrapa-soja.
  No Paraná, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) aponta que 75% de todo o volume de soja recebido chega até lá transportado por caminhões. Com a capacidade obsoleta, o resultado são filas quilométricas durante o escoamento da produção e, claro, mais perdas.

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