DESPERDÍCIO - Atacadistas jogam no lixo 7,3 mil ton
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de março de 2011
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
Conscientização é a palavra-chave para o diretor social da Central de Abastecimento do Paraná (Ceasa), Eduardo Pimentel. Isso porque, apesar dos esforços, o desperdício de hortifruti ainda é grande. Em quinze anos com a criação do Banco de Alimentos, porém, conseguimos diminuir muito o que vai para o lixo. Nosso trabalho consiste em conscientizar o produtor e atacadista de que o que ele não vai vender, tem que gente que pode comer. Por isso, a importância da doação antes que o produto estrague, comenta.
Levantamento da Ceasa mostra que do pouco mais de 1 milhão de toneladas do volume comercializado em 2010, mais de 7,3 mil toneladas (1%) foram parar diretamente no lixo, contra 4,1 mil toneladas doadas ao Banco. Lembrando que o que vem do Programa de Aquisição de Alimentos (PPA) aumenta esse número para 5,7 mil doados. O que não pode ser destinado à alimentação humana, vai para a animal. No ano passado, o número ultrapassou os 1,4 mil toneladas de alimentos aos criadores.
Ainda há muito o que fazer, mas com o trabalho realizado hoje, conseguimos distribuir mais de 8 toneladas por dia à entidades, lembra o diretor. Ao todo, 500 entidades recebem doações no estado, resultando em mais de 1,6 milhão de pessoas atendidas. Em Londrina, 93 entidades estão cadastradas. O trabalho contra o desperdício tem sido realizado, inclusive, dentro do próprio Banco.
No início, perdia-se algo em torno de 20% a 25% do que recebíamos. Hoje, a média não passa de 5%, garante. No ano passado, 402 toneladas foram descartadas do total recebido no ano passado no Paraná apenas pelo Banco. Em Londrina, das mais de 608 toneladas de alimentos recebidos, 80 toneladas foram descartadas. Número este que querem reduzir ainda mais. Temos um projeto de compostagem, que só falta licença de operação, para que os alimentos que não forem doados à alimentação humana ou animal, sejam utilizados para a produção de adubo orgânico.
Uma das entidades atendidas é a Igreja Batista Conservadora que, com os alimentos arrecadados, consegue beneficiar 38 famílias. Uma vez por semana pegamos de 20 a 30 caixas com todos os tipos de produtos. Muitas vezes, este alimento é que sustenta a família por esse tempo, conta o pastor Osvaldo José Alvez, voluntário da igreja.


