Desperdiçar o recurso natural sai caro
Localizada próximo ao Rio Tibagi e à represa Capivara, Londrina é uma cidade privilegiada em relação à disponibilidade de água. ''Se Londrina tivesse o tamanho de três São Paulo, ainda sim as represas seriam suficientes. A cidade jamais terá problemas de volume de água'', atesta o ambientalista João Batista, mais conhecido como João das Águas, membro da ONG Patrulha das Águas e coordenador do projeto AcquaMetrópole.
Diante dessa disponibilidade a preços módicos, é difícil encontrar quem realmente economize água em nome da preservação do meio ambiente. Pagar pela água torna-se, também, um recurso para coibir o desperdício. Em Londrina, segundo a Sanepar, o consumo médio é de 16,5 metros cúbicos por família. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que 10 metros cúbicos sejam suficientes para abastecer um núcleo familiar de quatro pessoas por um mês. Portanto, o londrinense exagera um pouco. ''Em nenhum país desenvolvido você vai encontrar pessoas lavando calçada e carro com água clorada e fluorada'', compara Sérgio Bahls, da Sanepar.
Mas por que economizar água se já se sabe que em Londrina esse recurso não vai acabar? ''As pessoas costumam falar sobre o volume de água desperdiçado, mas se esquecem de que essa água vai gerar mais esgoto. Cada litro de água derramada é um litro de esgoto gerado, que não vai ser tratado da forma adequada e devolvido ao rio, gerando poluição. Assim, estamos poluindo os rios quando desperdiçamos'', alerta João das Águas, acrescentando que o tratamento do esgoto ainda implica em gastos com energia elétrica.
O ambientalista é membro do Comitê da Bacia do Rio Tibagi, que pleiteia a cobrança pelo uso da água no Paraná. ''Nós captamos a água e não fazemos nada em troca. Com essa cobrança, 92,5% do dinheiro arrecadado serão obrigatoriamente aplicados na recuperação dos rios'', explica. Segundo Batista, a cobrança resultaria em um aumento irrisório na conta de água da população.
Ele esclarece, porém, que é a favor dessa cobrança apenas para que recursos sejam destinados para recuperar os rios e que não vê no aumento do preço uma saída para coibir o desperdício. ''Falta investir em educação ambiental. Não é pelo fato de termos muito que vamos estimular ou admitir o desperdício. A água não vai faltar pelo volume, mas pode faltar por poluição'', reforça. (A.I.)





