Novas expulsões aumentaram esta semana a tensão entre os brasiguaios (brasileiros que emigraram para o Paraguai) que vivem na localidade de Gasory, em Salto Del Guairá, na fronteira com Guaíra (115 km a sudoeste de Umuarama). No final da tarde de anteontem, a polícia paraguaia despejou duas famílias que haviam retornado e reconstruído suas casas na localidade. Outras cinco famílias estão proibidas de reocupar a área.
Quatro brasiguaios tiveram prisão decretada pela Justiça por desrespeitar a decisão do juiz Victor Benites Rodas, que concedeu reintegração de posse da propriedade a fazendeiros paraguaios que alegam ser os donos das terras ocupadas pelos posseiros.
No dia 12 de outubro, cinco famílias foram despejadas pela polícia paraguaia em Gasory numa ação violenta, que gerou protestos de entidades brasileiras defensoras dos direitos humanos. Os posseiros tiveram as casas destruídas e um deles, Carlos Margues, 36 anos, chegou a ser preso e agredido. Quase todas as famílias retornaram a Gasory em novembro, mas apenas duas reconstruíram casas, levaram animais e se preparavam para cultivar a terra.
A área é reivindicada na Justiça pelo empresário paraguaio Oscar Zacarias Cubilla. O empresário afirma que as terras foram vendidas irregularmente a brasileiros pela Colonizadora Salto Del Guaírá, na década de 70.
A maioria está abrigada nas casas de outros brasiguaios que vivem na região. Os posseiros Carlos Margues, Adilson Pinheiro, Primo Nunes e Roque Silveira (filho do ex-prefeito de Guaíra, Osvaldino da Silveira) estão com prisão decretada.
Esta semana, alguns chegaram a se refugiar no vice-consulado brasileiro em Salto del Guairá para escapar da prisão. Ao saber que seriam despejadas novamente, as famílias abandonaram as casas. A polícia paraguaia lacrou as moradias e levou móveis e animais para sítios de outros brasiguaios.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos de Foz do Iguaçu, Paulo Gomes, disse ontem que havia um acordo com o juiz Victor Benites de que as famílias expulsas em outubro poderiam reocupar uma parte da propriedade não incluída no mandado de reintegração de posse.
Brasileiros e paraguaios brigam pela posse de 1.400 hectares em Salto del Guaíra. Pelo menos mais 15 famílias de brasiguaios vivem na área sem possuir título das terras e também podem ser despejadas. O vice-consulado está tentando encontrar soluções diplomáticas para o problema. A representante do Centro do Voluntariado Social e Direitos Humanos do Paraguai, Ramona Leon de Eclesis, considera os despejos uma injustiça contra os brasiguaios. Ela está acompanhando os despejos e promete oferecer denúncia contra o Paraguai junto a organismos internacionais.Álvaro OrsiDesocupaçãoPoliciais paraguaios lacram casas em Gasory; outras 5 famílias estão proibidas de reocupar a áreaVânia Moreira

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