Despejo de lodo incomoda moradores
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domingo, 28 de janeiro de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Um caminhão despejando lodo em um poço de vistoria da Sanepar (tampas de ferro que ficam no meio das ruas), nas proximidades do Lago Igapó 4, chamou a atenção de moradores do Jardim Maringá (Zona Oeste de Londrina). ''Faz dois dias que ele vem aqui para fazer isso, e o cheiro é bem ruim, além de a gente não saber se esse barro é poluente. E também parece que vai direto para o lago'', reclamou um morador que não quis se identificar.
Segundo o motorista do caminhão, que também não se identificou, era apenas barro acumulado em uma das estações de tratamento. ''A gente está limpando a caixa e como fica essa sujeira no fundo, é preciso tirar. Mas isso é terra do fundo do rio, não vai fazer mal nenhum e ainda vai ser tratado'', declarou, sem muitos detalhes. Ele trabalha para a empresa terceirizada pela Sanepar para realizar o serviço.
O fiscal do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Valter Piola, ao ser informado pela FOLHA, foi ao local verificar a situação. ''Ele me explicou que esse barro irá direto para a estação de tratamento de esgoto, mas eu não vejo isso como um procedimento correto, mesmo que seja apenas terra e lodo. Acho que está perto demais do lago.''
O gerente industrial da Sanepar, Roberto Massami Arai, explicou que o procedimento é legal e foi autorizado pela empresa. ''Está sendo feita a limpeza de uma câmara de lodo de resíduos da estação central de tratamento de água (que fica na Av. JK), para que possa ser feita uma reforma.'' Segundo afirma, o material precisa ser encaminhado à estação de tratamento de esgoto, mas como esta fica distante, foi autorizado que fosse diluído com o esgoto em um poço de vistoria.
''Esse material vai chegar na estação sul de tratamento de esgoto, que fica na Fazenda Refúgio. Como o trabalho de limpeza precisava ser feito rapidamente, não dava tempo de ir até lá'', acrescentou Arai. Independentemente desse posicionamento, o fiscal do IAP quer conhecer o mapa das galerias do local. ''Quero ouvir a empresa e a Sanepar para saber por que foi despejado esse material exatamente ali.''. Arai assegurou que a escolha se deu pela facilidade de escoamento do material e pelo fato da tubulação ser reforçada, impossibilitando qualquer risco de vazamento.


