Por não terem sido identificados, os responsáveis pelo derramamento de cloro no Córrego Guarujá, em Londrina, não serão punidos judicialmente. A Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) fiscalizou diversas empresas suspeitas pelo despejo na região da Vila Brasil (centro), onde fica a nascente do córrego, mas não conseguiu encontrar os culpados.
Como o derramamento da substância cessou na terça-feira, os técnicos do órgão perderam a pista para detectar a origem do problema. Com base no trabalho realizado até então, a diretora técnica da AMA, Sílvia Saadjian, afastou a hipótese da poluição ter origem industrial. ‘‘Fiscalizamos todas as empresas possíveis, mas não encontramos nada, foi realmente muito intrigante’’, disse.
Para ela, o cloro encontrado no Guarujá pode ser decorrente de algum produto de limpeza muito forte utilizado na lavagem de prédios ou supermercados da região. ‘‘Pode ser que a substância tenha sido levada pela enxurrada, atingindo as águas do córrego’’, afirmou, acrescentando que o atual contexto impossibilita confirmar as suspeitas ou punir os responsáveis. ‘‘Se fosse uma indústria, teria sido descoberta.’’
Ontem, Sílvia também questionou a causa da morte dos peixes que foram encontrados boiando na represa do Parque Arthur Thomas, possivelmente por causa do cloro derramado no Córrego Guarujá, que desemboca no Córrego das Pombas - um dos afluentes da represa. Segundo ela, não dá para provar o motivo da mortandade porque os peixes não foram analisados. ‘‘Não encontramos nenhum laboratório disponível em Londrina.’’
Entre outras hipóteses, Sílvia argumentou que os animais podem ter morrido em decorrência de choque térmico ou por causa de fortes enxurradas, que os arrastaram para um tanque menor (no caso, a represa), sem oxigênio suficiente. ‘‘Estou procurando um especialista que me forneça dados sobre todas as probabilidades’’, afirmou.
Para a promotora de Defesa do Meio Ambiente em Londrina, Luciana Lepri Moreira, os peixes deveriam ter sido examinados para comprovar a causa das mortes. Ela também explicou que os culpados pelo acidente com o cloro ainda podem ser punidos, desde que sejam encontrados. ‘‘Os crimes por dano ambiental são imprescritíveis’’, comentou.
Na época do acidente ecológico, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) detectou cinco partes de cloro por milhão (ppm) nas águas da represa do Arthur Thomas, índice 300% maior que o valor aceitável. O produto, que tira o oxigênio da água, costuma matar os peixes por asfixia. Os animais encontrados mortos estavam todos com a boca aberta, denunciando dificuldades para respirar.

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