Despejo de alimentos pode gerar sindicância
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quarta-feira, 26 de novembro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Representantes do Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar) estiveram ontem em Bela Vista do Paraíso (40 km a norte de Londrina) e apuraram que os alimentos para merenda escolar encontrados no lixão da cidade na semana passada foram realmente repassados pelo governo estadual. A equipe visitou o depósito de lixo e as três escolas estaduais do município. Foi verificada a documentação do envio dos alimentos para merenda entre 1999 e este ano.
Segundo a chefe da divisão de educação alimentar do Departamento de Apoio Escolar do Fundepar, Dilnea Holzmann, os dados serão utilizados na confecção de um relatório, que deve ser finalizado até o final da semana. Existe a possibilidade de que o documento inclua um pedido de abertura de sindicância nas escolas estaduais de Bela Vista, a ser realizada pela Secretaria de Estado da Educação.
Na vistoria no lixão, não foi possível encontrar nenhum produto, porque, segundo Dilnea, o local estava coberto por terra. As análises foram feitas então a partir de alimentos que foram separados no depósito de lixo na semana passada por membros do Núcleo Regional de Educação (NRE), e de imagens dos pacotes de comida feitas pela imprensa.
De acordo com Dilnea, muitas embalagens tinham identificação do Fundepar. ''Os alimentos foram repassados à prefeitura em setembro de 2001, na terceira remessa daquele ano, e tinham prazo de validade até junho ou julho de 2002'', disse a chefe.
Desde 1999, a distribuição dos alimentos entre as três escolas estaduais de Bela Vista do Paraíso é feita pela prefeitura, que recebe as remessas diretamente do Fundepar. Além do governo estadual, a Polícia Civil, a Câmara de Vereadores e uma sindicância da prefeitura investigam o despejo de alimentos da merenda no lixão.
O delegado Aparecido Antônio Gregório abriu inquérito sobre o assunto na semana passada e esteve reunido ontem com Dilnea. Na delegacia, os representantes do Fundepar tiveram acesso a mais alimentos que foram encontrados no lixão e constataram que os produtos também tinham sido repassados pelo governo estadual.
Gregório diz que vai esperar o relatório do Fundepar para traçar as próximas ações da investigação. O delegado já ouviu depoimentos de três testemunhas que teriam visto os alimentos serem jogados no lixão. Segundo Gregório, as pessoas ouvidas relataram que o despejo aconteceu na semana passada, um dia antes do caso ser divulgado na imprensa. Hoje, o delegado deve tomar o depoimento de representantes da prefeitura.


