Despejo ameaça abrigo de 76 crianças
Se a gente tiver que largar na rua, para onde é que estas crianças irão? A pergunta é de Wilma Meira que corre o risco de ser despejada. Ela mantém três casas onde abriga 76 meninos e meninas carentes da Região Metropolitana de Curitiba. Wilma é uma das fundadoras da Associação Ebenezer de Assistência Educacional e Cultural e lançou nesta semana uma campanha para saldar uma dívida de R$ 3.500,00.
Aluguéis atrasados há três meses e contas de água e luz não pagas desde outubro são os principais problemas que a associaão terá de saldar. Se o caixa continuar vazio, Wilma acredita que fechará as portas num prazo de 45 dias. Ela disse que é a primeira vez que a entidade enfrenta dificuldades. Segundo Wilma, o tratamento de crianças doentes encareceram as contas no ano passado. Não estamos recebendo mais crianças por causa desta crise, diz.
As crianças chegam à associação, na Avenida Paraná, no bairro Boa Vista, através do SOS Criança, Juizado de Menores e do Conselho Tutelar. Cíntia, de 17 anos, por exemplo, nunca conheceu os pais biológicos. Vê em Wilma e no marido dela, o enfermeiro Jorge Meira, seus verdadeiros pais. Gosto daqui. Aprendi muitas coisas, diz a adolescente. A atividade que mais gosta de fazer é cuidar dos bebês da casa-lar da Avenida Paraná. Ela diz que gosta de passar uma sensação de mãe aos irmãos pequenos.
Fundada em 1995, a Associação Ebenezer tem duas casas-lares no bairro Boa Vista, em Curitiba, e outras duas no município de Almirante Tamandaré. Cada uma consome R$ 500,00 de aluguel por mês. Apenas uma residência está com o aluguel em dia. No entanto, em todas elas, faltam produtos de limpeza e higiene pessoal, principalmente fraldas descartáveis e sabão em pó. O estoque de comida ainda não foi afetado pela escassez de recursos, que vem do próprio bolso de Wilma e Jorge, doações e de recursos da Secretaria Municipal da Criança, através de uma ajuda trimestral de R$ 800,00.
Wilma está apelando, através da imprensa, para empresários e o público. A Associação Ebenezer lançou um número telefônico para recolher fundos. Cada ligação para o 900-0205 renderá R$ 5,00 para a entidade. Também estamos pensando em colocar cartazes nos terminais de ônibus, conta Wilma. Ela revela que o aperto financeiro está sendo encarado como um susto. É a primeira vez que estamos passando por isso e esperamos sair dela o mais rápido possível, diz Wilma.





