O lago do Parque Ecológico de Cascavel, na região central da cidade, recebeu ontem despejo de óleo combustível – de origem ainda não identificada – através de galerias de águas pluviais. A Folha recebeu a informação sobre o despejo através de um morador das proximidades, que se disse revoltado com a repetição do fato do longo dos anos. O lago forma, junto com outras nascentes, o Rio Cascavel, manancial de abastecimento à cidade.
Fiscais de órgãos ambientais e da Sanepar iniciaram ontem à tarde monitoração para tentar descobrir a origem do despejo, possivelmente de algum dos vários postos de combustíveis existentes na área. A Sanepar vigiava a expansão da mancha de óleo e deve instalar hoje barreiras de contenção para que não avance até a estação de captação de água, existente à frente do lago.
Segundo técnicos da Sanepar aparentemente o despejo não é mais grave que em ocasiões anteriores. De acordo com o gerente da Sanepar, Afonso Marangoni, por enquanto não haveria risco à qualidade da água captada. Adolfo Ogura, diretor da Secretaria de Meio Ambiente, explicou que há dificuldades para localizar a origem dos despejos mesmo com o uso de corantes em bocas-de-lobo das galerias pluviais nas proximidades de postos.
Os corantes seguem pelas galerias no mesmo curso das águas das chuvas, até o ponto onde são descarregadas no lago e em outros cursos d’água. ‘‘Alguns postos de combustíveis podem ter ligações clandestinas às galerias, de difícil localização, embora já tenhamos feito verdadeiros pentes-finos na área’’, especulou Adolfo Ogura. Segundo ele, já houve, há algum tempo, autuações a postos, mas os despejos no lago não cessaram.
A Sanepar completou ontem a retirada de óleo despejado em lagoas de decantação de esgotos, através da rede coletora dos dejetos. As lagoas começaram a ser cobertas há 10 dias por uma camada de óleo, de aproximadamente 5 mil litros, e havia risco de que ele fluísse para cursos d’água onde os esgotos são lançados, após o processo de depuração. O óleo foi lançado em valas forradas com lona plástica, com pequenos furos, para que vaze a parte da água também retirada. A destinação será decidida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

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