As 10 famílias que foram despejadas anteontem das casas de fibrocimento do conjunto Ilda Mandarino (zona norte) podem ser levadas para um loteamento particular. Em troca, a Prefeitura faria uma permuta com o proprietário da loteadora, que teria parte das suas dívidas com o Município perdoada. Esta possibilidade foi discutida ontem à tarde, na Câmara de Vereadores, durante reunião entre o vereador Célio Guergoletto (PMDB) e representantes das famílias e da Companhia de Habitação (Cohab).
Os sem-teto haviam invadido as casas de fibrocimento no último dia 13, mas a construtora Grande Piso Revestimento (de Foz do Iguaçu), responsável pela obra, conseguiu uma liminar de reintegração de posse. Anteontem, oficiais de Justiça e a Polícia Militar estiveram no local para retirar as famílias, que se dirigiram, então, para a Praça dos Três Poderes, em frente à Prefeitura (zona sul). Elas passaram a noite no local e exigem uma solução.
Ontem à tarde, representantes dos sem-teto participaram da reunião na Câmara. Célio Guergoletto explica que a alternativa encontrada foi levar as famílias para um loteamento particular. Ele afirma que proprietários de três loteadores mostraram interesse em negociar com a Prefeitura suas dívidas em troca de lotes para os sem-teto.
Entre os interessados o vereador cita a loteadora Tupy, que possui uma área no jardim Cristal (zona sul). Cada lote, de 460 metros quadrados, seria ocupado por duas famílias. Célio Guergoletto afirma que, logo após a reunião, entrou em contato com o prefeito Antonio Belinati. ‘‘Ele acha que vale a pena conversar melhor sobre o assunto’’, ressalta. O vereador diz que pretende se reunir hoje com o prefeito.
Na reunião, ficou decidido que os sem-teto deixariam a praça e passariam a noite no Palácio do Futsal, um ginásio de esportes na vila Brasil (centro).
A invasão das casas de fibrocimento fez com que a Comissão de Defesa Civil (Comdec) marcasse uma reunião extraordinária para amanhã, às 9 horas, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil). O objetivo é levantar propostas emergenciais para combater o déficit habitacional no Município.
A iniciativa da reunião é do prefeito Antonio Belinati, que diz está preocupado com a situação. Ele lembra que uma iniciativa conjunta pode evitar que o problema atinja grandes proporções, como ocorreu em São Paulo, onde três pessoas morreram, anteontem, durante conflito entre a Polícia Militar e os sem-teto. A Comdec foi reorganizada no início deste ano e reúne representantes da administração municipal, das polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e comunidade.
A pedido do juiz da Vara da Infância e Adolescência, Dimas Ortêncio de Mello, o Conselho Tutelar foi ontem checar a situação de 22 crianças, filhos dos sem-teto despejados anteontem das casas de fibrocimento do conjunto Ilda Mandarino (zona norte). O objetivo era verificar se as crianças estavam abandonadas e a possibilidade de serem levadas para algum local. O presidente do Conselho, Júlio Botelho, descartou a medida.
‘‘Não existe nenhum motivo para tirar as crianças de seus pais’’, afirma. Júlio Botelho lembra que o artigo 23 do Estatuto da Criança e do Adolescente diz que falta ou carência de recursos materiais não constitui motivo para destituição do pátrio-poder. ‘‘Aquelas crianças estão sendo cuidadas pelos pais’’, ressalta.
O presidente do Conselho Tutelar explica que as crianças, junto com suas famílias, estão passando por dificuldades por terem sido despejadas. ‘‘E isso é uma questão social, não é caso de destituição de pátrio-poder’’, observa. Ele lembra que o despejo já foi um ato de violência. ‘‘E o Conselho Tutelar não vai cometer uma atitude do mesmo tipo.’’

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