Josoé de CarvalhoEm casaJosé Oliveira prepara a armação do futuro barraco: ‘Só depois de assinarmos um contrato definitivo dá para fazer uma coisa bem feita’As nove famílias de sem-teto despejadas semana passada das casas de fibrocimento erguidas no conjunto Ilda Mandarino (zona norte) começaram ontem a ocupar os lotes numa área de terra no jardim Cristal (zona sul). A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) cedeu para o grupo madeira e lona plástica, além de algumas ferramentas, para que os sem-teto levantassem os barracos. A ocupação está prevista em um contrato de comodato entre a loteadora Tupy, dona da área, e as famílias.
Enquanto os barracos não ficarem prontos, as famílias não pretendem sair do ginásio de esportes Palácio do Futsal, na vila Brasil (área central), para onde foram levadas há 10 dias pela Prefeitura. No local permanecem todos os pertences delas. Há muitas crianças no grupo.
Ontem à tarde o desempregado José Pedro de Oliveira, que faz parte do grupo de sem-teto, já tinha delimitado um pedaço de terra no jardim Cristal e começava a levantar o barraco. ‘‘Medimos o tamanho do barraco pela lona de plástico’’, explicou, enquanto firmava a armação de madeira do barraco com prego.
A ocupação da área foi aleatória, já que os lotes não estão delimitados. Além disso, faltam água encanada - que será cedida provisoriamente por vizinho - e luz elétrica. ‘‘Por isso a gente achou estranho a princípio. Achamos que fosse estar tudo demarcado’’, disse Adriana Cristina Moreira.
Ela esclareceu também que a validade do contrato de comodato, que eles assinaram com a Tupy, é de 60 dias, e não de 90, como foi publicado ontem pela Folha. Se a Prefeitura não encontrar uma solução definitiva depois desse prazo, sobram duas opções aos sem-teto: ou eles desocupam a área ou financiam os terrenos diretamente com a própria loteadora.
‘‘A preocupação é terminar esse contrato e a Prefeitura não ter solucionado o problema da gente. Aí vamos ter que mudar de novo para outro lugar’’, completou Oliveira. ‘‘Então, só depois que a gente assinar um contrato definitivo é que dá para fazer alguma coisa bem feita.’’
A Prefeitura já está negociando com a Tupy, dona da área no jardim Cristal, uma solução definitiva para o problema das nove famílias de sem-teto. A loteadora, que deve cerca de R$ 100 mil à Prefeitura em impostos atrasados, iria repassar os lotes como forma de amortizar a dívida. E a Prefeitura, por sua vez, repassaria os lotes à Cohab - também para amortizar dívida de R$ 6 milhões com a Companhia. Depois disso, finalmente, os lotes seriam financiados às famílias.
Para fechar o negócio, falta ainda um laudo da Comissão Permanente de Avaliação da Prefeitura, indicando quanto vale a área cedida. Até ontem, segundo o secretário de Administração, Moysés Leônidas, o laudo ainda não havia sido concluído. Se a negociação avançar, a Câmara deverá aprovar projeto de lei consolidando o acordo.

mockup