O medo de perder os serviços de vistoria e emissão de documentação de veículos para os cartórios levou quinze despachantes de Londrina a procurarem os vereadores ontem. ''Fomos surpreendidos com essa possibilidade, publicada no Diário Oficial'', afirmou o despachante Geremias Moratto, um dos 15 líderes preocupados com a provável perda do serviço.
A preocupação procede. A Lei Complementar 94, datada de 23 de julho último, criou uma agência reguladora de serviços públicos delegados de infra-estrutura do Paraná vinculada à Secretaria de Estado dos Transportes. Conforme a lei, a agência terá o poder de regular, controlar e fiscalizar os serviços na área de transportes. Os despachantes acreditam que já exista um projeto de lei do governo do Estado que alteraria as atribuições do Detran e concederia aos cartórios autonomia para emitir documentos no registro de veículos.
O despachante Erivelton Carbonera acha que a transferência do serviço para os cartórios deverá afetar cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos em todo o Estado. Hoje, os despachantes respondem por 65% do atendimento total do Detran. No Paraná, o número de documentos de registros de veículos chegou a 2,7 milhões no ano passado, o que representa uma média de 215 mil guias por mês. Em Londrina, segundo o despachante Geremias Moratto, a estimativa é de que aproximadamente 600 a 800 processos passem diariamente pelas mãos dos 80 despachantes da cidade.
Segundo Moratto, desde que houve esta mudança no Rio Grande do Sul, onde uma agência semelhante está em funcionamento há mais de cinco anos, a categoria perdeu 90% do volume da emissão de documentação, o que representou o fechamento de 80% do total de despachantes naquele Estado.
Por outro lado, os despachantes de Londrina voltam a se reunir na semana que vem com a procuradora jurídica da Câmara de Vereadores de Londrina, Mara Alice Gonçalves, e com os vereadores Jamil Janene (PDT) e Paulo Arildo (PHS). ''Queremos saber o que vai acontecer'', ressaltou o despachante Marcos Sgarioni. Enquanto isso, eles mantêm contato com os representantes da categoria em Curitiba, que acompanham os estudos no governo de perto.

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