Despachante pode ser punido por endereços falsos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001
Dimitri do Valle De Curitiba 
A diretora de operações do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Elaine Kawa, determinou a abertura de um processo administrativo contra o despachante Francisco Hilário Chechaka, de Curitiba. Ele forneceu o próprio endereço residencial para que a apresentadora Xuxa e a modelo Susana Werner pudessem emplacar seus carros no Paraná, conforme a Folha mostrou na edição de ontem. Elaine quer saber como as artistas obtiveram permissão para fazer o emplacamento personalizado junto ao Detran.
O prazo da investigação será de 30 dias. Caso houver a descoberta de irregularidades, o despachante pode sofrer suspensão ou até a cassação de sua credencial no Detran. Chechaka declarou que recebia o pedido para encaminhar o emplacamento da concessionária onde Xuxa e Susana compraram os veículos da marca Audi, no Rio de Janeiro. A diretora pretende confirmar se o despachante fez este tipo de prática para mais pessoas.
Em entrevista à Folha, Chechaka disse que não cometeu irregularidade alguma e defendeu a prática declarando que o Estado é o maior beneficiado com o aumento na arrecadação do Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA). Desde novembro do ano passado, o órgão vem adotando medidas para coibir abusos na transferência de registros de outros Estados.
O Detran só aceita registrar o veículo se o proprietário apresentar um comprovante de endereço residencial, o que não era exigido quando Xuxa e Susana tiveram os seus carros emplacados em Curitiba. Elaine recorda que, antes das alterações, o dono do carro apenas assinava uma declaração de que tinha domicílio na cidade.
Em processos administrativos contra motoristas que cometeram infrações, Elaine conta que, quando o Detran tentava localizá-los pelo endereço registrado no emplacamento, descobria que ele não residia naquele local. A exemplo de outros Detrans, tivemos que adotar algumas medidas aqui no Paraná para impedir esse tipo de prática, acrescentou a diretora.
Um dos motivos para a migração de motoristas de outros Estados era o IPVA mais barato. A alíquota do tributo praticado no Paraná é de 2,5% sobre o valor total do veículo. Em São Paulo e Rio de Janeiro, o índice é de 4%. De acordo com o cadastro do Detran, a frota paranaense é de 2,4 milhões de veículos.


