Despachante é preso por fraude
Despachante é preso por fraude
Eliane Eme Sato
O despachante João Maria dos Santos, de 37 anos, dono do escritório Abreu Despachante, foi preso em flagrante, ontem, pela Delegacia de Crimes contra a Administração Pública, por falsificação de documentos. Investigação do Detran e da delegacia constatou que há dois anos ele vinha fraudando autenticações e reconhecimentos de firma de competência de cartórios de títulos e documentos, dos cartórios cíveis. Ele falsificava também ofícios de juízes.
No escritório de Santos, no bairro Capão Raso, a Polícia apreendeu grande quantidade de carimbos e um disquete contendo ofícios de alguns juízes da capital, carimbos de cartórios de varas cíveis, certidões negativas de furto, autos de arrematação e até mandados de remoção de veículos. Era como se ele tivesse cartórios e varas cíveis dentro do escritório, diz o delegado Vinícius J.B. Martins. O despachante responderá a inquérito policial e terá sua credencial cassada, segundo o coordenador de Auditoria do Detran, Carlos do Valle.
O escritório atendia cerca de 20 pessoas por dia e movimentava diariamente entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, segundo o delegado Martins. Ele conta que a mulher de João Maria, Márcia Eliane de Abreu Santos, 36 anos, já tivera a credencial cassada pelo Detran pelo mesmo motivo. Ela era a dona do Abreu Despachante. O escritório continuou funcionando no mesmo endereço, mas sob a administração do marido.
O delegado Martins acredita que muitos clientes não desconfiavam das fraudes. Segundo Carlos do Valle, o Detran fará a revisão de todos os processos e documentações que passaram pelo Abreu Despachante.
Em cinco anos, a Delegacia de Crimes Contra a Adninistração Pública abriu inquérito contra cerca de 50 despachantes acusados de falsificação de documentos. Só em Curitiba são cerca de 500 deles. São escolhidos, desde 1996, por concurso público e depois de aprovados precisam apresentar vários documentos expedidos pelos cartórios provando idoneidade.





