‘Desova’ é feita em municípios distantes
Os carros roubados e ‘‘depenados’’ são levados para bairros da periferia de Curitiba ou para municípios da Região Metropolitana, onde são ‘‘desovados’’. ‘‘Sabemos que o desmanche ocorre ainda em Curitiba, mas os ladrões deixam os carros em locais distantes para não atrair a atenção da polícia’’, afirma o delegado Luiz Gilmar da Silva, titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba.
Recentemente, o município de Bocaiúva do Sul foi o escolhido para concentrar os carros abandonados. Segundo o investigador Rubens José da Silva, de Bocaiúva do Sul, por mês são encontrados cerca de 12 carros depenados, ou seja, somente com a carcaça. ‘‘De dois anos para cá, esta tem sido uma prática comum dos ladrões de carros’’, avisou ele. Os carros são geralmente encontrados no mato, sem qualquer vestígio dos autores do furto. ‘‘Nunca temos suspeitos, pegamos os carros, avisamos as vítimas e não conseguimos nem abrir inquérito por não ter a quem indiciar’’, diz.
Esta semana, três proprietários de carros foram buscar os veículos no pátio da delegacia. A executiva de vendas da Uniclínicas, Rosely Nunes, foi uma delas. Ela teve o carro roubado na última segunda-feira, em frente à Folha do Paraná, na Rua Mauá, em Curitiba. O carro não tinha seguro e valia cerca de R$ 6.700,00. O que restou do carro está avaliado em R$ 300,00. ‘‘O carro estava inteiro, com pneus novos e a lataria sem qualquer arranhão, agora não sei o que fazer’’, afirma.
Com o prejuízo, Rosely e o marido terão que adiar as férias que estavam planejando, depois de 11 anos de trabalho. ‘‘Este gasto não estava previsto em nosso orçamento’’, lamenta. Rosely tem certeza de que o carro foi levado sob encomenda. ‘‘Alguém queria peças de gol e levou o nosso porque sabia o horário em que ficávamos com o carro estacionado em frente à Folha’’, diz.
O caso de Rosely não foi o único registrado nos últimos meses no Centro Cívico. O encarregado do setor de recursos humanos da Conab, que fica na mesma quadra, Mauro Tumeo, diz que há três meses, um veículo de funcionário ou cliente era roubado periodicamente na frente do escritório do Centro Cívico.
Mesmo na Visão Publicidade, empresa que fica na mesma quadra e que tem estacionamento próprio, o furto de veículos é considerado um problema. ‘‘Orientamos aos nossos clientes para que não deixem o carro na rua, porque sabemos dos constantes furtos na região’’, avisa Karla Klenk, secretária da empresa.
Um morador do bairro do Ahú, que teve o carro roubado na terça-feira, diz que está indignado. Ele foi dar queixa na polícia e foi informado que a polícia sabe da quantidade excessiva de furtos na região e que nada pode fazer, porque os ladrões seriam menores de idade.
A polícia nega a versão do morador do Ahú e diz que está investigando os casos ocorridos com frequência nos bairros Centro Cívico, Centro, Água Verde e Bacacheri. ‘‘É difícil pegar um ladrão, mas quando capturamos um, conseguimos prender toda a quadrilha’’, afirma Luiz Gilmar da Silva.(L.P.)

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