A Folha presenciou dois casos de procura pela Maternidade por falta de orientação. A dona de casa Tânia Lilian Alves Frezze, 34 anos, com 39 semanas de gestação, tinha consulta marcada para anteontem no HU. O pré-natal estava sendo feito no Hospital de Clínicas porque ela é diabética. Ontem ela precisava apenas de uma avaliação do estado do bebê. Tânia disse que havia telefonado para o posto de saúde, no bairro onde mora, e foi orientada a procurar a Maternidade.
O outro caso foi a dona de casa Rosemere de Fátima de Souza, 28 anos, grávida de 24 semanas. O marido, o mecânico Antônio Marcos Caetano, disse que desde domingo ela enfrenta crises de bronquite asmática. Na madrugada passada eles estiveram no Posto José Belinati, onde o médico fez uma inalação para conter a crise. Como não houve melhora eles procuraram o médico do posto de saúde que acompanha a gestação. O médico encaminhou a paciente ao HU, após contato com o hospital, pois temia que a crise estimulasse um parto prematuro.
No HU, uma pessoa do comando de greve teria dispensado a paciente mesmo com a apresentação do encaminhamento. Caetano, desesperado, procurou a Santa Casa, onde mais uma vez o atendimento foi recusado. Restou-lhe então levar a esposa para a Matenidade. O obstetra que a atendeu, Moacir Sanches Mascaro, disse que o bebê não corria risco, mas ela não poderia voltar para casa até que a crise fosse contida. Ela ficou em obsevação por seis horas.
A presidente do Sindicato dos Empregados dos Estabelecimentos de Saúde (Sinsaúde), Ana Maria da Cruz, que participou da reunião para definir o esquema de atendimento aos pacientes, disse que estava terminando de repassar o resultado aos servidores e afirmou não ter sido informada sobre o caso de Rosemere de Souza.
Na Santa Casa, o médico Sérgio Canavese, que esteve na reunião, admitiu que houve falhas no atendimento do pronto-socorro e imediatamente entrou em contato com o médico da Maternidade para que Rosemere fosse transferida para o hospital. (C.G.)

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