Animais alados sempre foram usados para representar medos e angústias humanas. O corvo de Edgar Allan Poe pousa nos umbrais para aumentar a dor do autor, torturado pela ausência da mulher amada. Morcegos são associados a vampiros, simbolismos do medo humano do sobrenatural. Urubus, vistos como aproveitadores da desgraça alheia, remetem à morte da carne. A pomba que descansa sobre uma das cruzes do Cemitério São Pedro, em Londrina, não reivindica papel tão ambicioso quanto o do corvo de Poe. Mas seu contorno sutil somado à imagem de sacrifício dos cristãos reforça o clima de desolação, solidão e saudade inerente ao local onde jazem os que já se foram. (Fábio Galão)

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