Desocupação foi estudada durante duas semanas
Emerson Cervi
De Curitiba
Depois de duas semanas de planejamento, a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar do Paraná resolveram fazer a desocupação da Praça Nossa Senhora Salete no dia de Nossa Senhora das Graças. Medalhas desta santa eram distribuídas durante a desocupação por uma religiosa simpatizante do MST. Na madrugada de ontem, os sem-terra acampados em frente ao Palácio Iguaçu há 172 dias viram cerca de 750 policiais militares cercarem o local. O elemento surpresa e o cerco em toda a região do Centro Cívico garantiram o sucesso da operação policial.
Um guarda noturno que trabalha na região do Centro Cívico, mas que não quis ser identificado, disse que a operação começou às 2 horas e 40 minutos. Eles (policiais) chegaram de todos os lados e foi aquela correria, ninguém mais podia entrar lá, afirmou. Um policial militar que participou da operação contou que os funcionários da Companhia Auxiliar de Viação e Obras (Cavo) estavam desde as 18 horas de sexta-feira no quartel da Polícia Militar, recebendo instruções. O responsável pela demolição dos barracos não confirmou essa informações.
Segundo o major José Paulo Betes, que comandou a operação de desocupação, os policiais congelararam (isolamento de todas as saídas) a área às 4 horas. Até o momento da leitura do mandado de reintegração de posse, os policiais ficaram conversando com os sem-terra, não houve nenhuma ocorrência grave, garantiu. Segundo o major, todas as ações da polícia foram dentro do que prevê a lei. O oficial de Justiça iniciou o procedimento de leitura do mandado às 6 horas e 5 minutos e, em seguida as pessoas foram encaminhadas aos ônibus para o transporte aos seus locais de origem, afirmou.
Betes garantiu que todos os sem-terra tiveram tempo suficiente para retirar os pertences pessoais e documentos dos barracos. Se deixaram alguma coisa foi por opção deles. Durante a operação de desmonte do acampamento foram encontrados mantimentos, roupas, colchões e utensílios domésticos no local.
Aqui nesse barraco tinha três mulheres grávidas e outros jovens que estavam se preparando para o vestibular; todo o material escolar deles ficou aqui, lamentava Onelia Passaroti, da Central de Movimentos Populares, entre o que restava de um dos barracos.
De acordo com o serviço de relações públicas da Polícia Militar, todos os pertences dos sem-terra que ficaram nos barracos foram transportados para os depósitos da Cavo em Curitiba, onde poderão ser retirados pelos donos. Não foi informado quanto tempo o material ficará à disposição dos donos, já que os sem-terra foram levados para o interior do Estado.





