Desocupação destruiu muitos sonhos
Cento e oitenta e cinco cabeças de gado, 88 porcos e 50 carneiros. Os números estão na memória e são motivo de saudade para o classificador de produtos Lauro Donizete Vieira, 48 anos. Morador de Santa Isabel do Ivaí (92 km a oeste de Paranavaí), ele é mais um dos ex-ilhéus do Parque Nacional de Ilha Grande que esperam pelo pagamento de indenizações.
Vieira conta que, pouco depois depois da assinatura do decreto de criação do parque, recebeu prazo de 24 horas para tirar as criações da propriedade na Ilha Fina. Os animais foram retirados às pressas para evitar a multa, mas tiveram de ser vendidos a preços irrisórios para evitar a perda total. ''Vendi o gado em caminhão fechado, sem pesar cabeça por cabeça. Com certeza, perdi bastante com isso'', relata. ''Também disseram que, se a gente voltasse depois da enchente, seríamos autuados.'' Atualmente, restaram somente os prejuízos para o ex-ilhéu.
A sua maior frustração é ter visto os sonhos irem ''por água abaixo.'' ''Todo o dinheiro de minhas férias, 13º salário, era tudo empregado em benfeitorias na ilha. Agora só ouvimos promessas de que as indenizações vão sair'', lamenta. Recentemente, o ex-ilhéu também teve de tirar alguns cavalos que permaneciam na área de proteção ambiental. Os animais, bastante valiosos segundo Vieira, foram levados para fazendas vizinhas no continente e não resistiram ao transporte. Para Lauro Vieira, no entanto, tão amargo quanto o gosto dos prejuízos e da espera pelo dinheiro foi ver os sonhos e o investimento de uma vida terem acabado, sem qualquer compensação. Pelo menos por enquanto. (F.R.F.)





