As cerca de 120 famílias de sem-terra que ocupavam as fazendas São José e Xavantes, em São Pedro do Paraná (94 km a Oeste de Paranavaí), deixaram a área ontem. A saída foi calma e a polícia acompanhou apenas de longe com um número reduzido de homens. A maior parte dos sem-terra foi para a Fazenda Boa Sorte, em Marilena. Os proprietários mandaram ônibus e caminhões mas as famílias recusaram a ajuda e usaram veículos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O escrivão da delegacia de São Pedro do Paraná, José Luiz Ungari, disse por telefone à Folha que os sem-terra estavam saindo pacificamente. ‘‘A área vai ficar liberada para os donos’’, garantiu. O proprietário da fazenda Xavantes, José Eduardo Brenner Barreto, reclamou que os sem-terra estavam saindo ‘‘muito devagar’’. Segundo Barreto eles haviam ‘‘sumido’’ com nove cavalos e destruído lavouras.
Uma área de 31 alqueires de mandioca, arrendada por Barreto, teve que ser colhida antes do tempo por pressão dos sem-terra. O prejuízo foi quase total. ‘‘A produtividade ficou muito abaixo do esperado’’, desabafou. A propriedade tem 675 hectares, a maior parte pasto com gado.
O proprietário da Fazenda São José, Alcindo Cerci, não esteve na área ontem. Ele calcula que pelo menos 40 bois e mais 84 sacas de café beneficiado foram retirados da propriedade pelos sem-terra. O comando do MST na região não quis falar sobre a desocupação das duas fazendas.
Ontem, o comando da Polícia Militar na região não tinha previsão de novas desocupações. O acordo entre o MST, Incra e o governo do Estado inclui ainda a saída dos sem-terra da Fazenda Florão, em Querência do Norte.

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