Curitiba - A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) suspendeu ontem o plano de desocupação da Fazenda Urupês, em Cruzeiro do Oeste (23 quilômetros a leste de Umuarama). A região foi ocupada no último dia 12 de junho por cerca 300 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem terra (MST) e desde essa data a situação é tensa no local. Há denúncias de que há seguranças armados na área e, na última sexta-feira, um trabalhador foi baleado no braço. Mesmo com esse quadro, a reintegração de posse foi suspensa porque a secretaria recebeu do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a informação de que há interesse do Instituto em comprar a área.
Em entrevista à Folha, por telefone, o superintendente do Incra, Celso de Lacerda, confirmou o interesse, mas disse que a proposta de compra existe desde o ano passado. ''A proposta é antiga, mas existem entraves na documentação que prefiro não divulgar e que certamente vão retardar o processo de compra'', revelou. Com a aquisição, o Incra pretende acabar com os conflitos na região.
O superintendente do Instituto preferiu não dar detalhes sobre o processo de negociação da fazenda para não gerar expectativas, mas foi categórico: ''Não existe prazo para que o negócio seja efetuado. A fazenda ainda não foi avaliada''. A região tem 80 alqueires e pertence a Antonio Sestio que já informou que teve prejuízo de cerca de R$ 200 mil desde que o local foi invadido. O proprietário espera a desaproriação e ainda quer evitar que os sem-terra invadam a fazenda vizinha, onde estão cerca de 3 mil cabeças de gado.
A Secretaria de Segurança Pública informou que mesmo suspendendo o plano de desocupação da área, as Polícias Militar e Civil vão manter ronda na área para evitar conflitos. Segundo o governo, a Polícia Civil está investigando o caso do sem-terra baleado, mas o autor ainda não foi identificado. O sem-terra baleado, Almir de Oliveira Rodrigues, não corre risco de morte.

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